A Incerteza do movimento de uma bola Oval "¿Qué clase de mundo es éste que puede mandar máquinas a Marte y no hace nada para detener el asesinato de un ser humano?" José Saramago
Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
do Paradigma da Iluminação das Mentes

Levanta os olhos e observa o céu

Sente o movimento dos elementos

Não esperes por artimanhas e falsas ilusões

Sairás frustrado e revolto

As epopeias relatadas de aventuras e empresas

Levadas a cabo por homens descrentes

Nas suas antepassadas origens terrenas

Tentando acreditar em desígnios celestiais

Testemunham a incoerência na atribuição da inteligência e poder de raciocínio

Supostos atributos únicos dos bípedes

Mais não são que organismos caminhantes

Errantes e vagabundos sem alma

 

Seguem os dias em barcos à vela

Em busca de bom porto

Ou só em busca de um ancoradouro

Iluminados por faróis dispersos ao longo da orla costeira

Muitas vezes entrando na bruma carregada

Sem perceber o que a sorte incerta lhes trará

Ou então,

Em outras vezes mais constantes que o desejado

Navegam em águas revoltas ou revoltadas

De mares sempre alterosos

Que escondem dentro de si uma fúria incompreensível

Sobem por ondas que mais parecem trilhos de montanhas íngremes

Ou de imediato caindo de um penhasco

Num vazio, num abismo sem fim

Navegadores esses, homens simples sem destino

Que atracam em portos abrigados

Onde ancorarão as suas velas

Saciarão as carnes no descanso de seus corpos

Ou nos desejos carnais carcomidos por longas temporadas sem terra à vista

Agora tornados glutões de mulheres alheias.

 

Essa faina cuja esperança

Navega de par em par com cada milha percorrida

Homens, muitos deles com o sonho de voar

Lançando ensejos de levantar a cabeça

E conhecer outros mundos

Eles que nasceram e não chegaram a ser meninos

Novos ou velhos perderam a infância

Ninguém lhes ensinou o ser-se menino

Roeram a casca dura e dobrada vezes sem conta

Demasiadas tramas tecidas e retorcidas

 

Esta gente

Este povo

Que discute do alto da sua sabedoria

Sentado na certeza do seu cadeirão

Pode decidir das sortes alheias

Arquitectando sobre a história milenar

Assentes na dicotomia do bem e do mal

Princípios éticos civilizacionais

Ponderados sobre duas vias

Que se cruzam aqui e ali

Da mesma forma que se afastam

Do particular e do próprio

Como

o mesmo acontecerá com o geral e plural de uma sociedade

 

Mal das ovelhas tresmalhadas

Que em busca do pensamento pessoal

Tem o poder per si

De duvidar, discutir, decidir ou contestar

Marginalizados pelas suas opções de má sorte

Destes os que rasgam os olhos

Amarrotam a folha de papel assinada

Pelo conservador dos altos poderes conferidos

Que manda publicar a cada nado sucedido

Mal dos que não seguem a linha direita e disciplinada por doutas personalidades

Percorrendo outros caminhos

Ou serão barões e de sangue privilegiado

Ou então

Mentes brilhantíssimas

Que torneando as voltas prévias

Podem estabelecer novos padrões

E criar novos ciclos de evolução.

 

Levanta o teu ser

Homem confuso

Quiseste ser astronauta

Mas o teu país não te deu os foguetões

Quiseste ensinar

Mas a cartilha que tinhas ao teu dispor

Não tinha linhas para reescrever a história

Decidiste caminhar sobre as solas dos teus pés

Descalços e arrefecendo as brasas pisadas

Derrotando os cardos nascidos em terras áridas

O que se diz ter sido benemérito salvador

Manda-nos dar a face

Manda-nos oferecer a outra face a cada ofensa

Quis que cada teta da vaca fosse ordenhada alternadamente

Uma ordem instruída

Um desígnio obrigado

Dar a face uma e outra vez

Outra vez

Sempre a face

Mas por quem dobram os sinos ao longe

Se a carne que é carne

A carne que da carne nasceu de uma mãe sofrida e dorida

Se a carne que à terra há-de voltar

Se bem que nunca de lá saiu

Mas a dor do trabalho nas terras e lagares deste mundo

A demanda lá fará chegar

Por cinzas tornará

Vai voltar quantas vezes for necessário

Repetir questionar intervir

Sobre as malditas verdades imemoriais

Que de longe trazem a voz

Ainda antes dos tempos das escritas e dos escribas

Que da alegoria

De onde de dentro da caverna

Do conhecimento existente

As sombras eram a luz mais clara e límpida

Alguém se obrigou a questionar essa luz

Alguém se questionou sobre a clareza

Branca mais branca dessa luz

Esgotou o conhecimento na pergunta e na resposta obtida

Abandona-te

Sai daí de dentro

Não temas o que encontrarás do outro lado

Porque talvez

Essa luz clara e límpida

Era morte cor de breu

A mesma cor que viste nos mares alterados

E dos sonhos viajados por céus tenebrosos

Afinal de contas

E na soma das contas

Quando do deve e haver alguém ajuizará

As sombras de lá

Eram escuras

E do lado de cá

Se alguém tivesse chamado

A luz ter-se-ia demonstrado

Para lá desta nossa luz

Outra luz iluminará

 

 

 



publicado por blogoval às 21:55
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
30
31


posts recentes

Redireccione para o blog ...

Verão Quente de 2013

... do «paradigma» de uma...

Euromilhões e as probabil...

José Saramago - «in memor...

Pedro Abrunhosa - 'Toma C...

Martin Luther King's - Ma...

PS e PCP com maioria abso...

Vitor Gaspar o falso mete...

Pablo Aimar, a quem chama...

Porutgal e o LIXO na noss...

José e Pilar - o filme - ...

José Saramago - Entrevist...

Portugueses e a libertaçã...

Grupo Controlinveste vend...

arquivos

Janeiro 2015

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Abril 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

josé saramago(93)

outros cadernos de saramago(81)

benfica(61)

mundial de futebol(22)

carlos queiroz(9)

cavaco silva(9)

josé sócrates(9)

manuel joão vieira(9)

selecção nacional(9)

liga2010/11(8)

estrela da amadora(7)

futebol(7)

jorge jesus(7)

josé mourinho(7)

tsf(7)

500 metal(6)

carlos cruz(6)

casa pia(6)

champions league(6)

heavy metal(6)

saramago(5)

25abril(4)

antónio feio(4)

crise(4)

henricartoon(4)

manowar(4)

pedro passos coelho(4)

portugal(4)

sporting(4)

balas e bolinhos(3)

carl sagan(3)

casamento gay(3)

cosmos(3)

inter de milão(3)

luis freitas lobo(3)

papa(3)

pedro abrunhosa(3)

politica(3)

psd(3)

roberto(3)

socrates(3)

agostinho da silva(2)

apito dourado(2)

arrábida(2)

atletismo(2)

baltasar garzón(2)

campeões(2)

cuba(2)

educação(2)

elefante(2)

emperor(2)

enapá2000(2)

festa do avante(2)

fpf(2)

frança(2)

governo(2)

iraque(2)

iron maiden(2)

israel(2)

metallica(2)

passos coelho(2)

playboy(2)

portagens(2)

porto(2)

ps(2)

pt(2)

real madrid(2)

ricardo rodrigues(2)

sócrates(2)

tgv(2)

troika(2)

zeca afonso(2)

1.º maio(1)

100 anos(1)

11/9(1)

2010(1)

86 anos(1)

abril(1)

acidentes(1)

aeroportos(1)

agências de rating(1)

aimar(1)

alentejo(1)

álvaro cunhal(1)

ambiente(1)

aminatou haidar(1)

animação(1)

ano morte ricardo reis(1)

antena1(1)

avante(1)

barack obama(1)

bento xvi(1)

bertolt brecht(1)

bes(1)

biblioteca nacional(1)

blind guardian(1)

blog(1)

bnp(1)

bp(1)

braga(1)

todas as tags

links
«Viagem a Portugal» - José Saramago

Ver Viagem a Portugal - José Saramago num mapa maior
Counter
blogs SAPO
subscrever feeds