A Incerteza do movimento de uma bola Oval "¿Qué clase de mundo es éste que puede mandar máquinas a Marte y no hace nada para detener el asesinato de un ser humano?" José Saramago
Terça-feira, 25 de Maio de 2010
Luis Freitas Lobo «Época 2009/10: relatório final»

Copiado e colado daqui...

 

Época 2009/10: relatório final

 

Terminada a época 2009/10, ficaram muitas imagens tácticas para analisar. O termo «transições rápidas» continua a ser o mais utilizado para elogiar a forma de atacar de uma equipa. Na maioria das vezes, porém, é uma análise que confunde momentos de jogo diferentes (transição ofensiva e organização…ofensiva). Até porque, na prática, poucas equipas do campeonato fazem (ou conseguem fazer) transições rápidas. O próprio Benfica é uma equipa muito rápida a atacar, em organização, mas que aquando de tirar a bola da zona de pressão, faz mais um início de transição em segurança. Isto é, não aumenta de imediato a velocidade do jogo, prefere mesmo um breve baixar do ritmo para o primeiro passe, quase sempre curto, sair preciso, em apoio, dando, ao mesmo tempo, curtos instantes para os médios de segunda linha e avançados se reposicionarem e soltarem a organização ofensiva (essa sim já muito rápida). É um ténue momento de fronteira entre dois…momentos que, no fundo, separa a transição rápida do contra-ataque (uma forma de expressão da organização ofensiva).
Recorde-se como o Benfica quando tinha dificuldades perante equipas mais fechadas (bloco-baixo) em vez de insistir buscar espaços de penetração em «campo pequeno», tinha antes a tendência de (estrategicamente) recuar as suas linhas (meio-campo e ataque) para com isso aliciar o adversário a subir as suas. Desta forma, chamava-o para uma armadilha, pois recuperada a bola nessa altura, fazia a tal transição em segurança e logo depois lançava uma organização ofensiva rápida (contra-ataque) com um espaço que antes não tinha. É por isso que por vezes se ouvia a estranheza do treinador adversário por num jogo daqueles ter sofrido um golo em…contra-ataque (veja-se golos à Naval, Olhanense ou Nacional) quando todo o jogo (preparação e desenrolar) impediria, por princípio, qualquer hipótese dele surgir assim. Tinham, pura e simplesmente, caído na armadilha montada.
 
No sistema, as principais equipas variaram de design preferencial. Benfica (4x1x3x2), Braga (4x2x3x1), FC Porto (4x3x3). As estruturas não têm, no entanto, vida própria. E, por isso, mesmo mantendo-se, podem mudar de expressão em campo. O FC Porto, por exemplo, manteve a capacidade de fazer transições rápidas, mas perdeu a qualidade posicional (com mobilidade) que tinha em organização ofensiva nos últimos 30 metros. O Braga jogava num bloco médio-baixo, saía a jogar por um dos laterais ou pelo pivot, mas quando perdeu esses elementos-chave (João Pereira-Vandinho) teve de mudar esse princípio de jogo de transição, mantendo os da organização ofensiva.
O maior segredo táctico deste campeonato residiu, porém, na capacidade de tirar a bola da zona de pressão e, depois, fazer um desdobramento (não transição) rápido (e, ao mesmo tempo, apoiado) para o momento ofensivo que, então sim, incorpora essa maior velocidade. O Benfica conseguiu-o de forma tão perfeita que, nessa dinâmica táctica, parecia fazer transições rápidas. Foi a maior (e melhor) ilusão da época.
 
 
1. Organização defensiva 
No global, as equipas revelaram-se fortes nos encurtamentos (reduzir espaços ao adversário) mas muitas parecem recear que a opção pelo bloco-baixo implique assumir uma filosofia de jogo mais defensiva. É uma preocupação estética saudável, mas, por vezes, tacticamente pouco inteligente face aos jogadores (capacidades táctico-técnicas) ao dispor. Ou seja, há equipas que ao subir o seu bloco, em vez de potenciar qualidades, expõem debilidades. Aumentam o seu «espaço defensivo» de jogo, sobretudo nas costas da defesa. Isso obriga a maior qualidade técnica de posse de bola do sua linha defensiva para a poder circular. É um problema e nem é só nas ditas equipas pequenas. O Sporting, com a sua linha defensiva, por exemplo, sentia mais as suas debilidades à medida que subia o bloco. É o maior contra-senso que uma equipa grande pode apresentar: a defesa parecer melhor em bloco-baixo.
No sistema, os treinadores mantém a evolução da marcação individual para a zonal, mas que ainda confunde o comportamento de muitas equipas (jogadores) sobretudo em bolas paradas.
 
2. Transições  
Principal impressão que fica da maioria das equipas: Adaptam-se muito bem à realidade do jogo (isto é, preparam muito bem o «seu jogo»), mas depois revelam dificuldade em se adaptar às suas mudanças (isto é, falham na reacção às «circunstâncias do jogo»). Não é fácil, claro, uma equipa variar de sistema durante um jogo, pelo que muitas vezes o problema coloca-se sobretudo no plano da falta de qualidade de passe como principal ameaça a essa estabilidade táctica.
Evitar fazer passes de primeira instância (para o colega mais próximo) em bloco-baixo é uma regra (face à fraca qualidade de passe dominante) para evitar a situação de maior risco em que se pode cair: perder a bola no início da transição, ainda perto da área, sendo apanhada posicionalmente desequilibrada defensivamente. Esta interpretação conjunta do jogo espelha-se, sobretudo, nas transições. Ou melhor, na velocidade (e eficácia) em que elas se fazem de forma a encurtar os momentos de desequilíbrio que a passagem da organização ofensiva para a defensiva (e vice-versa) implica.
 
 
3. Organização ofensiva  
Outras equipas preferem, por exemplo, a transição rápida e depois uma organização ofensiva mais apoiada em construção. O Guimarães de Paulo Sérgio foi, quase sempre, um exemplo. A opção pelo bloco médio ou médio-baixo nasce, muitas vezes, da ideia de que para se pressionar alto é necessário subir obrigatoriamente o bloco. Não é assim. Porque a pressão alta não é a missão principal dos defesas, mas sim dos médios e sectores mais subidos. O segredo é aguentar a distância entre-linhas. A Académica (jogo posicional perfeito) sofreu com isso em alguns lances. Era o problema do espaço que aparecia nas costas da defesa durante o jogo ao subir o bloco.
No geral das outras equipas trata-se, porém, de face à dificuldade em ter a bola, não saber precaver melhor a sua perda, programando-a para que ela suceda o mais longe possível da sua área. Marítimo e Olhanense terão sido, em pólos diferentes, das equipas mais desequilibradas: fortes na organização ofensiva (com largura e profundidade) mas, uma vez perdida a bola, defensivamente quase sempre incompletas.


publicado por blogoval às 21:27
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
30
31


posts recentes

Redireccione para o blog ...

Verão Quente de 2013

... do «paradigma» de uma...

Euromilhões e as probabil...

José Saramago - «in memor...

Pedro Abrunhosa - 'Toma C...

Martin Luther King's - Ma...

PS e PCP com maioria abso...

Vitor Gaspar o falso mete...

Pablo Aimar, a quem chama...

Porutgal e o LIXO na noss...

José e Pilar - o filme - ...

José Saramago - Entrevist...

Portugueses e a libertaçã...

Grupo Controlinveste vend...

arquivos

Janeiro 2015

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Abril 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

josé saramago(93)

outros cadernos de saramago(81)

benfica(61)

mundial de futebol(22)

carlos queiroz(9)

cavaco silva(9)

josé sócrates(9)

manuel joão vieira(9)

selecção nacional(9)

liga2010/11(8)

estrela da amadora(7)

futebol(7)

jorge jesus(7)

josé mourinho(7)

tsf(7)

500 metal(6)

carlos cruz(6)

casa pia(6)

champions league(6)

heavy metal(6)

saramago(5)

25abril(4)

antónio feio(4)

crise(4)

henricartoon(4)

manowar(4)

pedro passos coelho(4)

portugal(4)

sporting(4)

balas e bolinhos(3)

carl sagan(3)

casamento gay(3)

cosmos(3)

inter de milão(3)

luis freitas lobo(3)

papa(3)

pedro abrunhosa(3)

politica(3)

psd(3)

roberto(3)

socrates(3)

agostinho da silva(2)

apito dourado(2)

arrábida(2)

atletismo(2)

baltasar garzón(2)

campeões(2)

cuba(2)

educação(2)

elefante(2)

emperor(2)

enapá2000(2)

festa do avante(2)

fpf(2)

frança(2)

governo(2)

iraque(2)

iron maiden(2)

israel(2)

metallica(2)

passos coelho(2)

playboy(2)

portagens(2)

porto(2)

ps(2)

pt(2)

real madrid(2)

ricardo rodrigues(2)

sócrates(2)

tgv(2)

troika(2)

zeca afonso(2)

1.º maio(1)

100 anos(1)

11/9(1)

2010(1)

86 anos(1)

abril(1)

acidentes(1)

aeroportos(1)

agências de rating(1)

aimar(1)

alentejo(1)

álvaro cunhal(1)

ambiente(1)

aminatou haidar(1)

animação(1)

ano morte ricardo reis(1)

antena1(1)

avante(1)

barack obama(1)

bento xvi(1)

bertolt brecht(1)

bes(1)

biblioteca nacional(1)

blind guardian(1)

blog(1)

bnp(1)

bp(1)

braga(1)

todas as tags

links
«Viagem a Portugal» - José Saramago

Ver Viagem a Portugal - José Saramago num mapa maior
Counter
blogs SAPO
subscrever feeds