A Incerteza do movimento de uma bola Oval "¿Qué clase de mundo es éste que puede mandar máquinas a Marte y no hace nada para detener el asesinato de un ser humano?" José Saramago
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
«O Caderno de Saramago» - Borges

Colado e copiado daqui...

 

Borges

By José Saramago

Maria Kodama voltou a Portugal, desta vez para assistir à inauguração de um monumento a Jorge Luis Borges. Havia bastante público no Jardim do Arco do Cego, onde a memória foi implantada. Uma banda filarmónica tocou o hino deArgentina e também, não o hino nacional português, mas o hino da Maria da Fonte, expressão musical da revolução a que foi posto esse nome por alturas de 1846-47 e que ainda hoje continua a ser tocada em cerimónias civis e militares. O monumento é simples, um bloco vertical de granito da melhor qualidade no qual se abre um vão onde uma mão dourada, molde directo da mão direita de Jorge Luis Borges, segura uma caneta. É simples, evocativo, muito preferível a um busto ou uma estátua em que nos cansaríamos a procurar semelhanças. Improvisei umas quantas palavras sobre o autor de Ficções, a quem continuo a considerar como o inventor da literatura virtual, essa sua literatura que parece ter-se desprendido da realidade para melhor revelar os seus invisíveis mistérios. Foi um bom princípio de tarde. E Maria Kodama estava feliz.



publicado por blogoval às 21:14
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«O Caderno de Saramago» - Baltasar Garzón, 2

Copiado e Colado daqui...
 

Baltasar Garzón, 2

By José Saramago

O juiz Baltasar Garzón deixou em Lisboa uma lição do que é ou deve ser o Direito. A verdade é que, em sentido estrito, do que se falou no acto organizado pela Fundação foi de Justiça. E de sentido comum: dos delitos que não podem ficar impunes, das vítimas a quem tem de ser dada satisfação, dos tribunais que têm de levantar alcatifas para ver o que há por baixo do horror. Porque muitas vezes, por baixo do horror, há interesses económicos, delitos claramente identificados perpetrados por pessoas e grupos concretos que não podem ser ignorados em Estados que se proclaman de direito. Quem sabe se os responsáveis dos crimes contra a humanidade, que de outra forma não posso chamar a esta crise financeira e económica internacional, não acabarão processados, como o foram Pinochet ou Videla ou outros ditadores terríveis que tanta dor espalharam? Quem sabe?

O juiz Baltasar Garzón fez-nos compreender a importância de não cair na vileza uma vez para não ficar para sempre vil. Quem conculca uma vez os direitos humanos, em Guantánamo, por exemplo, atira pela borda fora anos de direito e de legalidade. Não se pode ser cúmplice do caos internacional com que a administração Bush infectou meio mundo. Nem os governos, nem os cidadãos.

Um auditório multitudinário e atento seguiu as intervenções do juiz com respeito e consideração. E aplaudiu como quem ouve não verdades reveladas, mas sim a voz efectiva de que o mundo necessita para não cair em na permissividade da abjecção.

A Fundação está contente: fizemos o que pudemos para recordar que há uma Declaração de Direitos Humanos, que estes não são respeitados e que os cidadãos têm de exigir que não se tornem em letra morta. Baltasar Garzón cumpriu a sua parte e tê-lo posto a claro esta tarde em Lisboa só pode fazer com que nos felicitemos.



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O Elefante em Espanha

Pela apresentação do livro em Espanha, aqui alguns comentários dos meios de comunicação espanhois.


El País

Radio Cable

La Opinion de Tenerife

 



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Prémio José Saramago ganha dimensão Ibérica

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Prémio José Saramago ganha dimensão ibérica

O Prémio José Saramago, até aqui atribuído de dois em dois anos em Portugal, vai passar a distinguir autores em Portugal e Espanha em anos intercalados, de acordo com um comunicado de Miguel Marti, responsável ibérico do Direct Group. O prémio, no valor de 25 mil euros, distingue autores até aos 35 anos de idade e reconheceu até agora os seguintes escritores: José Luís Peixoto (Nenhum Olhar, em 2001), a brasileira Adriana Lisboa (Sinfonia em Branco, em 2003), Gonçalo M. Tavares (Jerusalém, em 2005) e valter hugo mãe (O Remorso de Baltazar Serapião, em 2007).



publicado por blogoval às 21:04
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Sábado, 13 de Dezembro de 2008
A saga do guerreiro menino

Pôs-se a jeito e alguém da sua corte lhe fará a vontade.

Terça-feira será o início da tentativa de regresso de Santana Lopes à presidência da cidade de Lisboa.

Não me parece que a cidade de Lisboa tenha alguma divida para com Santana Lopes, dado a sua intenção do regresso ao lugar de comandante.

Não me parece que a esta distância, as eleições lhe possam correr de feição, até pelo que estará a ser feito, ou da forma que o que está a ser realizado é mostrado ao povo lisboeta.

Não será uma mera tentativa de colocar o pescoço fora de água?

Não será um acto de sobrevivência politica?

 



publicado por blogoval às 22:46
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Guantanamo em Portugal

Ainda não estamos cem por cento certos que Portugal está isento na polémica dos voos da CIA, com transporte ilegal de prisioneiros para Guantanamo.

Se bem que esta polémica é artificial, o mundo ocidental ainda não percebeu que os prisioneiros são empacotados e enviados por avião para uma prisão de alta segurança, na ilha de Cuba. Ora esses aviões, voam, como é lógico, e teem de sobrevoar terra e mar. Mar em oceanos e lagos, terra em países soberanos. Mas ao sobrevoar numa trajectória lógicamente directa e recta, com base na autonomia de cada avião, os paises sobrevoados não são directamente coniventes com a «bagagem». Mas andam a tentar convencer do contrário através de um certo tipo de manifesto artificial.

Mas o que é interessante, é a posição politica de Portugal. Oferecemos as terras lusas, para a estadia e alojamento de prisioneiros, talvez 6 já se tenham oferecido.

Mas tiramos contrapartidas deste acto heróico? Seremos os unicos a receber tais convidados?

Não será uma matéria por si só deveras complexa e controversa que mereça ser discutida em público?



publicado por blogoval às 22:30
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Alterações no ELISABETH BUTTERFLY

Acompanho muito de perto as palavras e a luxuria que reina neste blog.

As alterações, por mim sóbrias, sempre renovadoras, são um ponto de instpiração.

Tal como este blog, sem preconceitos, polémico, frio e por vezes também sentimental, o sgtpeppers.wordpress.com está um must... não deixem de lá passar



publicado por blogoval às 15:07
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O melhor segundo a FIFA

O CR7 Ronaldo, o Messi, o Kaká, o Fernando Torres e o Xavi Hernandez, são os 5 escolhidos de entre 23 finalistas, para a coroação de melhor jogador do mundo do ano 2008.

Refere-se que ficam 3 de lingua espanhola e 2 de lingua portuguesa, para dos quais retirar um nome, sob a subjectividade da injustiça das escolhas.

A pressão mediática do CR7, pode obrigar à sua escolha, como também este argumento, terá a falácia de lhe tirar o mérito do que fez e dos titulos que ganhou na época passada.

Tem uma liga dos campeões, um campeonato  inglês, o melhor marcado da liga dos campeões, o melhor marcador de todas as ligas mundiais.... etc...

Mas será que a genialidade do futebol de outros jogadores mais discretos, não lhe farão a triste surpresa.

Será que o mundo lhe cairá em cima da cabeça, sendo escolhido como o 2.º melhor atrás de Messi??

A ver vamos no dia 12 de Janeiro.



publicado por blogoval às 14:54
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
Saramago no Avante!

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José Saramago: 10 anos após o Nobel da Literatura
«Um prosador oriundo da classe trabalhadora»

José Saramago foi o grande vencedor da edição de 1998 do Prémio Nobel da Literatura. A notícia correu o mundo e, naturalmente, provocou uma gigantesca onda de entusiasmo em Portugal. «É um prosador oriundo da classe trabalhadora que só atingiu a celebridade quando cumpriu os 60 anos», valorizou, em comunicado, a Real Academia Sueca. Passados dez anos, José Saramago continua a ser uma referência na cultura nacional e, como disse, em Outubro, Jerónimo de Sousa, um motivo de «orgulho» para todos os comunistas portugueses. Há 10 anos, na sua intervenção em Estocolmo, o premiado, nascido em 1922 na Azinhaga do Ribatejo, começou por dizer: «O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever». Lembrando esse momento histórico para Portugal e para os portugueses, transcrevemos excertos do texto:

«Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro.
(...) Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. (...) Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

(...) «Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa, tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver. A mesma atitude de espírito que, depois de haver evocado a fascinante e enigmática figura de um certo bisavô berbere, me levaria a descrever mais ou menos nestes termos um velho retrato (hoje já com quase oitenta anos) onde os meus pais aparecem: "Estão os dois de pé, belos e jovens, de frente para o fotógrafo, mostrando no rosto uma expressão de solene gravidade que é talvez temor diante da câmara, no instante em que a objectiva vai fixar, de um e de outro, a imagem que nunca mais tornarão a ter, porque o dia seguinte será implacavelmente outro dia...

(...) «Ao pintar os meus pais e os meus avós com tintas de literatura, transformando-os, de simples pessoas de carne e osso que haviam sido, em personagens novamente e de outro modo construtoras da minha vida, estava, sem o perceber, a traçar o caminho por onde as personagens que viesse a inventar, as outras, as efectivamente literárias, iriam fabricar e trazer-me os materiais e as ferramentas que, finalmente, no bom e no menos bom, no bastante e no insuficiente, no ganho e no perdido, naquilo que é defeito mas também naquilo que é excesso, acabariam por fazer de mim a pessoa em que hoje me reconheço: criador dessas personagens, mas, ao mesmo tempo, criatura delas. Em certo sentido poder-se-á mesmo dizer que, letra a letra, palavra a palavra, página a página, livro a livro, tenho vindo, sucessivamente, a implantar no homem que fui as personagens que criei. Creio que, sem elas, não seria a pessoa que hoje sou, sem elas talvez a minha vida não tivesse logrado ser mais do que um esboço impreciso, uma promessa como tantas outras que de promessa não conseguiram passar, a existência de alguém que talvez pudesse ter sido e afinal não tinha chegado a ser.

(...) «Vieram depois os homens e as mulheres do Alentejo, aquela mesma irmandade de condenados da terra a que pertenceram o meu avô Jerónimo e a minha avó Josefa, camponeses rudes obrigados a alugar a força dos braços a troco de um salário e de condições de trabalho que só mereceriam o nome de infames, cobrando por menos que nada a vida a que os seres cultos e civilizados que nos prezamos de ser apreciamos chamar, segundo as ocasiões, preciosa, sagrada ou sublime. Gente popular que conheci, enganada por uma Igreja tão cúmplice como beneficiária do poder do Estado e dos terratenentes latifundistas, gente permanentemente vigiada pela polícia, gente, quantas e quantas vezes, vítima inocente das arbitrariedades de uma justiça falsa. Três gerações de uma família de camponeses, os Mau-Tempo, desde o começo do século até a Revolução de Abril de 1974 que derrubou a ditadura, passam nesse romance a que dei o título de Levantado do Chão, e foi com tais homens e mulheres do chão levantados, pessoas reais primeiro, figuras de ficção depois, que aprendi a ser paciente, a confiar e a entregar-me ao tempo, a esse tempo que simultaneamente nos vai construindo e destruindo para de novo nos construir e outra vez nos destruir.

(...) «Esta é a história de Memorial do Convento, um livro em que o aprendiz de autor, graças ao que lhe vinha sendo ensinado desde o antigo tempo dos seus avós Jerónimo e Josefa, já conseguiu escrever palavras como estas, donde não está ausente alguma poesia: "Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu". Que assim seja.

« (...) Mas foi na biblioteca da escola industrial que O Ano da Morte de Ricardo Reis começou a ser escrito... Ali encontrou um dia o jovem aprendiz de serralheiro (teria então 17 anos) uma revista - "Atena" era o título - em que havia poemas assinados com aquele nome e, naturalmente, sendo tão mau conhecedor da cartografia literária do seu país pensou que existia em Portugal um poeta que se chamava assim: Ricardo Reis. Não tardou muito tempo, porém, a saber que o poeta propriamente dito tinha sido um tal Fernando Nogueira Pessoa que assinava poemas com nomes de poetas inexistentes nascidos na sua cabeça e a que chamava heterónimos, palavra que não constava dos dicionários da época, por isso custou tanto trabalho ao aprendiz de letras saber o que ela significava. (...) Muito, muito tempo depois, o aprendiz, já de cabelos brancos e um pouco mais sábio das suas próprias sabedorias, atreveu-se a escrever um romance para mostrar ao poeta das "Odes" alguma coisa do que era o espectáculo do mundo nesse ano de 1936 em que o tinha posto a viver os seus últimos dias: a ocupação da Renânia pelo exército nazista, a guerra de Franco contra a República espanhola, a criação por Salazar das milícias fascistas portuguesas. Foi como se estivesse a dizer-lhe: "Eis o espectáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Disfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria..."

(...) «Fruto imediato do ressentimento colectivo português pelos desdéns históricos da Europa (mais exacto seria dizer fruto de um meu ressentimento pessoal...), o romance que então escrevi - Jangada de Pedra- separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices em direcção ao Sul do mundo, "massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais", a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico.

«Lembrou-se então o aprendiz de que em tempos da sua vida havia feito algumas revisões de provas de livros e que se na Jangada de Pedrainha, por assim dizer, revisado o futuro, não estaria mal que revisasse agora o passado, inventando um romance que se chamaria História do Cerco de Lisboa, no qual um revisor, revendo um livro do mesmo título, mas de História, e cansado de ver como a dita História cada vez é menos capaz de surpreender, decide pôr no lugar de um "sim" um "não", subvertendo a autoridade das "verdades históricas". Raimundo Silva, assim se chama o revisor, é um homem simples, vulgar, que só se distingue da maioria por acreditar que todas as coisas têm o seu lado visível e o seu lado invisível e que não saberemos nada delas enquanto não lhes tivermos dado a volta completa. De isso precisamente se trata numa conversa que ele tem com o historiador. (...) Escusado será acrescentar que o aprendiz aprendeu com Raimundo Silva a lição da dúvida. Já não era sem tempo.

«Ora, foi provavelmente esta aprendizagem da dúvida que o levou, dois anos mais tarde, a escrever O Evangelho segundo Jesus Cristo. É certo, e ele tem-no dito, que as palavras do título lhe surgiram por efeito de uma ilusão de óptica, mas é legítimo interrogar-nos se não teria sido o sereno exemplo do revisor o que, nesse meio tempo, lhe andou a preparar o terreno de onde haveria de brotar o novo romance. Desta vez não se tratava de olhar por trás das páginas do "Novo Testamento" à procura de contrários, mas sim de iluminar com uma luz rasante a superfície delas, como se faz a uma pintura, de modo a fazer-lhe ressaltar os relevos, os sinais de passagem, a obscuridade das depressões. Foi assim que o aprendiz, agora rodeado de personagens evangélicas, leu, como se fosse a primeira vez, a descrição da matança dos Inocentes, e, tendo lido, não compreendeu. Não compreendeu que já pudesse haver mártires numa religião que ainda teria de esperar trinta anos para que o seu fundador pronunciasse a primeira palavra dela, não compreendeu que não tivesse salvado a vida das crianças de Belém precisamente a única pessoa que o poderia ter feito, não compreendeu a ausência, em José, de um sentimento mínimo de responsabilidade, de remorso, de culpa, ou sequer de curiosidade, depois de voltar do Egipto com a família.

(...) «Cegos. O aprendiz pensou: "Estamos cegos", e sentou-se a escrever o Ensaio sobre a Cegueira para recordar a quem o viesse a ler que usamos perversamente a razão quando humilhamos a vida, que a dignidade do ser humano é todos os dias insultada pelos poderosos do nosso mundo, que a mentira universal tomou o lugar das verdades plurais, que o homem deixou de respeitar-se a si mesmo quando perdeu o respeito que devia ao seu semelhante. Depois, o aprendiz, como se tentasse exorcizar os monstros engendrados pela cegueira da razão, pôs-se a escrever a mais simples de todas as histórias: uma pessoa que vai à procura de outra pessoa apenas porque compreendeu que a vida não tem nada mais importante que pedir a um ser humano. O livro chama-se "Todos os Nomes". Não escritos, todos os nossos nomes estão lá. Os nomes dos vivos e os nomes dos mortos.

Termino. A voz que leu estas páginas quis ser o eco das vozes conjuntas das minhas personagens. Não tenho, a bem dizer, mais voz que a voz que elas tiverem. Perdoai-me se vos pareceu pouco isto que para mim é tudo.

Saramago chama a atenção para direitos humanos
Por um mundo melhor

No dia em que José Saramago recebeu o Prémio Nobel, assinalavam-se também os 50 anos da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O discurso de Saramago foi, por isso também, uma chamada de atenção para a efeméride e para o pouco que se tem feito nesse capítulo.
«Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante», acusou.
«Alguém não anda a cumprir o seu dever. Não andam a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aquelas que efectivamente governam o mundo, as empresas multinacionais e pluricontinentais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal da democracia. Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem e que não é de esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência com que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor», disse o Prémio Nobel.

Jerónimo de Sousa valoriza obra de José Saramago
«Continuaremos a lutar»

Em Outubro, durante uma sessão comemorativa realizada no Espaço Vitória, pelo PCP, Jerónimo de Sousa valorizou a «condição comunista» de José Saramago e «a grandeza da sua obra literária».
Factos que não são dissociáveis: «Estou em crer que, sem essa condição, a massa humana de muitos dos seus livros não se moveria com o mesmo fulgor e não se sentiria em muitos deles o penoso, trágico, exaltante, contraditório, luminoso, sombrio, incessante movimento da história. Sem dúvida, o Nobel deu projecção planetária ao autor e à obra», disse, na ocasião, o Secretário-geral do PCP.
Mas se esse prémio foi tão importante para José Saramago, essa sua concreta atribuição ao escritor não foi menos importante para os prémios Nobel. «No discurso de há dez anos, na Academia Sueca, José Saramago disse: “A voz que leu estas páginas quis ser o eco das vozes conjuntas das minhas personagens”. Poderíamos acrescentar: “E essas vozes conjuntas são um eco do povo, dos trabalhadores, dos imperfeitos humanos que constroem a história”», salientou, acrescentando: «E se mais razões não houvesse, esse eco soa com um renovado prestígio para o Prémio Nobel.
Durante a sua intervenção, Jerónimo de Sousa frisou ainda que os livros de José Saramago são contributos e estímulos preciosos para a «luta colectiva de todos os dias». «Com todas as nossas forças, com todo o nosso empenho, com toda a nossa convicção, com toda a nossa inteligência, com toda a nossa sensibilidade, continuaremos a lutar - nesta luta que, tendo como objectivos imediatos a resolução dos gravíssimos problemas que flagelam o nosso País e o nosso povo, tem sempre no horizonte o objectivo maior da construção de uma sociedade justa, fraterna, solidária, democrática, liberta de todas as formas de opressão e de exploração: a sociedade socialista e comunista», sublinhou.
O Secretário-geral do PCP recordou ainda o dia da «grande notícia» que «encheu de alegria e de orgulho» os comunistas portugueses. «A alegria de sabermos que o Prémio Nobel da Literatura era, pela primeira vez, um escritor português e da língua portuguesa; e o orgulho, natural, pelo facto de esse escritor ser um camarada, um membro do nosso Partido Comunista Português», afirmou.

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publicado por blogoval às 21:51
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Faltas Injustificadas... 2

Parece que se está a tornar num hábito, ou à sexta-feira, ou todos os dias, os nossos mui nobres deputados da nação lusitana, andam a tentar copiar um certo hábito estudantil.

Hoje, a comissão parlamentar do orçamento e finanças, não realizou a reunião agendada para as 9 e 30 da manhã, por falta de quórum.

Depois do triste exemplo de há umas semanas, em que trinta e tal deputados do PSD faltaram à votação, descobrindo-se depois que alguns assinaram o ponto e puseram-se na alheta, para supostos serviços à nação para os quais foram eleitos, hoje a reincidência dos factos é por demais lamentável.

Nos tempos que correm, de crise e de grave falta de ânimo nacional, estes senhores não estão a honrar, o sangue suor e lágrimas que muitos andam a derramar, muitos destes, o chamado povo.

Alguém, veio à TSF, lamentar-se do farto trânsito que circula pelas ruas de Lisboa. Que todos sabem como é impossivel andar de carro na capital.

Pois bem, esse senhor deputado faltoso, deviar levantar o «cu» cedo da cama, e cumprir com as suas obrigações.

Outro, também na TSF, Sr. Almeida Santos, vem lamentar o fraco ordenado de cada parlamentar, e que no tempo dele, tinha resolvido a situação. Não é que os deputados na altura não faltassem, ele é que não marcava sessões para a sexta-feira. Pois porque os deputados também têm família. Claro que sim, e muitos são de longe. O problema é que todo o país tem família, mas há uns que passam a vida a fazer sacrificios.

 

Só neste país, só neste país, como diz a canção de Sérgio Godinho

 

 


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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Documentário de Saramago na RTP

A Revista Ler, belissíma por sinal, com um blog muito completo, dá-nos esta maravilhosa novidade e link...

 

A RTP exibe o documentário «José Saramago - Levantado do Chão», sobre a vida e obra do Nobel da Literatura.

 




publicado por blogoval às 19:55
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Entrevista com novidades....

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Saramago: "Obama nunca olvidará lo que han sufrido los suyos"

"Estoy con un nuevo libro, hoy he escrito la primera página", dice el escritor portugués en una nueva entrevista a fondo a 10 años de alzarse con el Nobel de Literatura. "La injusticia y el abuso de autoridad sobre el individuo son los motores de mi obra", sentencia.

Por: Xavier Ayén. Especial La Vanguardia y Clarín

LITERATURA Y POLITICA. "Éste es uno de mis libros menos políticos, pero es una metáfora de la vida", reflexiona el escritor luso.

José Saramago, a sus 86 años, ha vuelto a la vida. Tras haberle visto la cara a la muerte, según propia confesión, a causa de unas neumonías sucesivas, lo primero que hizo al llegar a casa el pasado febrero, tras unos meses de hospital, fue ponerse a escribir. En agosto ya le había salido "

El viaje del elefante

" (Alfaguara), una crónica épico-humorística del recorrido que realizó Salomón, un elefante propiedad del rey de Portugal que, en el siglo XVI, fue regalado al archiduque Maximiliano de Austria, por lo que tuvo que viajar de Lisboa a Viena, pasando por Lisboa, Valladolid, Roses, Génova...



El libro acompaña al paquidermo y a su cornaca, Subhro, así como a los ejércitos portugués y austriaco que lo custodian, por su hiperbólica ruta. Saramago recibió el pasado sábado en su casa de Lisboa a este diario, y nos mostró la futura sede de su fundación, la impresionante

Casa dos Bicos

, en el barrio de Alfama, un monumento nacional que se va a salvar de la ruina gracias al Nobel.



¿Escribir este libro ha sido también épico, como el viaje del elefante?

Tenía 40 páginas hechas antes de caer. En todo el tiempo que estuve enfermo, casi un año, no escribí pero estuve pensando en el libro, le decía a los doctores: 'A ver si no voy a poder acabarlo...' Cuando finalmente llegué a casa, pesaba tan solo 51 kilos, estaba muy debilitado pero, contra todo pronóstico, a las 24 horas ya estaba escribiendo como un poseso. Es algo muy bonito y gratificante que, a pesar del estado deplorable en que me hallaba haya encontrado fuerzas para escribir. Más sorprendente todavía es que me haya salido un libro tan humorístico. ¿Cómo es posible que, habiéndole visto la cara a la muerte, este sea mi libro más divertido, el único en que el humor está presente en cada página? No fue premeditado, es como si el libro hubiera querido ser escrito de ese modo. Nada de mi horrible experiencia ha pasado a él, ni siquiera un leve detalle.



A lo mejor esa experiencia aparece en libros futuros...

No creo. He tenido sueños absolutamente terroríficos, las peores pesadillas de mi vida, que olvidaría si pudiera. Nunca las recrearía en público.



¿No? ¿Por qué?

Al contrario de lo que Freud creía, no se puede describir un sueño porque siempre te queda algo esencial fuera, todo sueño contiene algo inefable que forma parte de su esencia.



¿Qué base histórica real hay en la novela?

Se produjo efectivamente el regalo de un elefante de un rey a otro, y el animal realizó ese viaje, pasando por las ciudades que digo. El itinerario es exacto y el hecho de que murió al año de llegar a Viena también. Pero los datos históricos caben en media página, así que no he tenido más remedio que inventar. De todos modos, no estoy seguro de que esto sea una novela: no hay una historia de amor, no hay un conflicto, desarrollo y crecimiento de personajes... es el relato de un viaje, yo lo llamaría más bien un cuento, aunque tenga casi 200 páginas.



Los protocolos de la corte, las relaciones entre los dos ejércitos reales, la comunicación entre el archiduque y el cornaca... señalan una reflexión sobre el poder y su pompa, ¿verdad?

Sí, pero eso no era lo que más me preocupaba. El poder siempre es pomposo, lo fue en el siglo XVI y lo es todavía hoy, aunque no lo parezca tanto. Este es uno de mis libros menos políticos, aunque yo crea que, si profundizamos, todo es política siempre. ¿Sabe por qué lo escribí, en el fondo?



No...

Por el final que tuvo el pobre elefante: cuando se murió, ¡le cortaron las patas delanteras para hacer con ellas unos recipientes para guardar los bastones! Me pareció una injusticia enorme: ese elefante que recorrió miles y miles de kilómetros para llegar hasta Viena, sin saber por qué, ese paquidermo majestuoso que fue aplaudido por las gentes de pueblos de toda Europa a lo largo del camino, porque era un animal desconocido en la época, que salvó a la una niña de ser aplastada, un trayecto tan épico... que le cortaran las patas me pareció injusto, humillante, no se lo merecía. Si eso no hubiera ocurrido no me hubiera sentido estimulado a escribir el libro. De hecho, es una metáfora sobre la vida humana.



¿La muerte da sentido a la vida?

Yo eso no me lo creo. Lo que dio sentido a la vida de ese elefante fue ese final tan cruel, destinar sus patas a un fin tan profano, tan por debajo del nivel de su epopeya. La injusticia es uno de los motores de mi obra, el abuso de autoridad sobre el individuo. Y aquí el individuo es el elefante. Todos somos elefantes. Soñamos que gozamos de libre albedrío pero en lo importante no lo tenemos.



A Saramago se le reconoce tan solo leyendo una línea, por su escritura característica, por ejemplo esos diálogos intercalados en medio del texto, sin signos de puntuación, formando un continuo.

Eso se lo sé defender de forma eficaz: cuando hablamos no hay signos de puntuación. Hablamos igual que se hace la música, con sonidos y con pausas. Una interrogación no es un signo al final, es una melodía. Para mí, el lector debe tener un papel que vaya más allá de interpretar el sentido de las palabras, el lector debe poner su música, interpretar la partitura del texto de un modo muscular, de acuerdo a su respiración y su propio ritmo. En el fondo, la puntuación es lo mismo que las señales blancas pintadas en las carreteras, que intentan impedir que el conductor tenga problemas pero, tal vez, si no existiera ningún tipo de señales, todo el mundo conduciría con mucho más cuidado. Eso es lo que quiero, que me lean con cuidado.



Y, como en sus últimos libros, desaparecen casi todas las mayúsculas.

Para eso no tengo mucha defensa racional pero sí un argumento estético: una página con muchas mayúsculas es muy fea, siempre subiendo y bajando. Con la abolición - nunca total - de la mayúscula, conseguimos una página más armoniosa. Hay muchos idiomas que no la usan: el hebreo, el chino, el árabe, el japonés.



¿Qué papel tiene el cornaca, el cuidador del elefante?

No quiero hablar de simbiosis, pero en el fondo el elefante hace lo que el cornaca quiere. Un elefante es un animal muy rotundo, con una presencia apabullante pero ¿qué piensa? ¿cómo siente? Como no conozco a ningún elefante, y no me parecía correcto antropomorfizarlo, eso era una tentación fácil, mi opción ha sido explicar cómo piensa su cornaca, que lo acompaña desde la India. Porque el elefante, en el fondo, es el motor de toda la historia pero un motor inconsciente, que no sabe lo que le pasa, no sabe adónde va, y esa falta de sentido es lo que conduce toda la historia.



Pero se da una comunicación entre ellos.

Al menos en una dirección. ¿Sabe qué me contó García Márquez? Que, un día, vio a un caballo que tenía las dos orejas llenas de larvas; vino un campesino, se acercó a él y empezó a hablarle con una especie de letanía y, a medida que iba hablando, ¡las larvas saltaban y se caían al suelo! Si las larvas son capaces de reaccionar a la palabra humana, ¿por qué un elefante no?



A los dos, animal y cornaca, les cambia el nombre Maximiliano...

Como señal de su autoridad imperial. Pero el cornaca, al dirigirse al emperador, a veces bordea el límite de lo permitido...



¿Y qué representa la reina de Portugal?

Es una figura contradictoria, ella tiene la idea de regalar el elefante pero a la vez le da mucha pena desprenderse de él por una especie de instinto femenino. El honor de cerrar la historia es suyo.



Este libro ¿supone un adiós a su línea reciente de parábolas políticas?

Quién sabe...



En su blog decía que tenia una idea de nuevo libro, y hoy le hemos visto escribiendo...

Estoy con un nuevo libro, sí. Me han visto ustedes escribiendo la primera página, que ya está acabada. Es una idea que tuve hace tres años y que ahora me ha vuelto con una fuerza tal que no he podido resistirme.



Hoy se conmemoran a la vez los 60 años de la declaración de derechos humanos y los diez años de la concesión de su premio Nobel...

La declaración de derechos humanos no se cumple, es papel mojado. A pesar de eso, no existe un movimiento internacional capaz de oponerse a los intereses poco claros de nuestros gobiernos. Un cambio de política haría mejorar las cosas, yo no soy fatalista. Pero los medios de comunicación deben denunciar, asumir su parte de responsabilidad en la mejora del planeta. No creo eso de dejar el peso del cambio a los jóvenes, educados como están en un hedonismo irresponsable. El trabajo de hoy debemos empezarlo hoy. ¿Cómo van a tener esperanza de cambio los jóvenes si los adultos hacemos dejación de nuestras responsabilidades? Somos todos nosotros, hoy, los que hemos de cambiar las condiciones de vida. Si lo hacemos, si luchamos por ello, tal vez los jóvenes quieran imitarnos, pero si nos quedamos quietos seguro que ellos tampoco lo harán. Las vías de lucha están hoy neutralizadas y hay que revivir el espíritu critico. El fracaso del capitalismo financiero, hoy tan obvio, debería ayudarnos a la defensa de la dignidad humana por encima de todo. Vemos que todos los gobiernos inyectan miles y miles de millones a los bancos, ¿de dónde sale ese dinero? ¿no decían que no había dinero para solucionar los problemas básicos del mundo? ¡Jamás se han gastado tanto dinero en nada! Si son los bancos los que tienen problemas, el dinero público -que es nuestro- crece y se multiplica. ¿Por qué no salimos a la calle a denunciarlo? Si es Cuba la que sufre una catástrofe natural, como recientemente, EE.UU. le da 100.000 dólares de donación, que por supuesto el gobierno cubano rechazó. Hay que pensar en los derechos humanos, exigir que se cumplan, lo dije hace diez años en Estocolmo, en mi discurso del Nobel, muy criticado porque me dijeron que aquel no era el lugar ni el momento, pero le confesaré que, al volver a mi asiento, la misma reina de Suecia me susurró: 'Alguien tenía que decirlo'.



¿Y el Nobel? ¿Le cambió la vida?

Sí, pero en el mismo sentido en que ya la llevaba, es decir, intensificó mi tendencia a intervenir en cuestiones sociales y políticas. Lo importante es que no ha cambiado la persona que soy. Si quiere, puede contrastar ese dato con mis amigos y mi esposa.



Pero le ha hecho, por ejemplo, frecuentar a muchos mandatarios...

No, no, no me gustan los pasillos del poder, y hay políticos a los que me niego a ver, como al mismo presidente de Portugal, que, cuando era primer ministro, censuró una de mis novelas.



¿Y su relación con Fidel Castro? Usted publicó una dura carta abierta contra su política, que se titulaba 'Hasta aquí hemos llegado'...

Ante el fusilamiento de tres chicos, escribí ese texto. Me afectó mucho, después me invitaron a ir a la isla, acepté y, allí, repetí mis argumentos contra la pena de muerte. Podía haber sido una ruptura pero la verdad es que los cubanos no quisieron romper conmigo, ni yo tampoco con ellos, y me aceptaron con esas críticas incluidas. No estoy peleado con Cuba, es una diferencia seria que he tenido con alguien de mi propia familia.



Siguen coleando sus declaraciones a favor del iberismo -la unión de España y Portugal- pronunciadas hace tres años...

Lo que demuestra que, se quiera o no, el tema está vivo. Me han llamado de todo, traidor a la patria... pero yo creo que eso, un día, sucederá. Fíjese en el dibujo de España sin Portugal, le queda una forma un poco rara, estéticamente no es gran cosa. España sufre un complejo de amputación pero nosotros, los portugueses, todavía sentimos temor a Castilla (que no a Galicia o Catalunya), así que no sucederá mañana, pero sucederá, de un modo que no nos hará perder, por supuesto, nuestra lengua ni nuestra cultura.



¿Le da esperanza Obama?

Siempre tengo esperanza, porque todos vivimos de ella. Pero también recuerdo que Kennedy o Tony Blair se presentaban como esperanzas y luego se rieron de nosotros, especialmente Blair. El caso de Obama es diferente porque es negro e inteligente y, por esas dos razones, creo que nunca olvidará lo que han sufrido los suyos durante siglos. Si es capaz de ampliar ese sentimiento y extenderlo a toda una serie de injusticias, se producirá una gran rectificación de la política de EE.UU. en el mundo. Yo hace mucho que no voy a EE.UU., un país en el que en el aeropuerto la policía te copia el disco duro de tu ordenador. Eso es algo que me consta que están haciendo y que yo tengo el derecho de considerar intolerable.



publicado por blogoval às 19:52
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«O Caderno de Saramago» - Baltasar Garzón

Copiado e colado daqui...

 

Baltasar Garzón

By José Saramago

Apesar do tempo agreste, com chuva a espaços e frio, o cinema estava cheio. Carmen Castillo temia que as duas horas e meia de projecção do seu documentário acabassem por fazer desanimar a assistência, mas não foi assim. Nem uma só pessoa se levantou para sair e, no final, com os espectadores rendidos à força das imagens e aos testemunhos estremecedores dos membros do M.I.R sobreviventes da ditadura, Carmen foi aplaudida de pé. Nós, os da Fundação, estávamos orgulhosos daquele público. Havia confiança, mas a realidade excedeu as previsões mais optimistas.

À hora a que escrevo, mais de duzentos mil exemplares da Declaração Universal dos Direitos Humanos circulam nas mãos de outros tantos leitores dos jornais Diário de Notícias, de Lisboa, e Jornal de Notícias, do Porto. E hoje, dia 11, será a vez de Baltasar Garzón, que vem expressamente de Madrid para falar de direitos humanos, de Chile e de Guantánamo. Tal como a homenagem às Letras Portuguesas que se realizou ao fim da tarde com grande êxito, a conferência de Garzón será na Casa do Alentejo, às 18 horas. É uma boa ocasião para aprender. Sim, para aprender.



publicado por blogoval às 19:50
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Deputados do PSD e outros...

Será que os deputados da nação, vão-se juntar aos alunos nas lutas de contestação do estatuto dos alunos e já agora dos deputados.



publicado por blogoval às 19:46
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Comemoração dos 10 anos Prémio Nobel - Estocolmo


José Saramago
Foto Diário de Notícias

Este é o texto integral do discurso lido por José Saramago:

"Cumpriram-se hoje exactamente 50 anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não têm faltado comemorações à efeméride. Sabendo-se, porém, como a atenção se cansa quando as circunstâncias lhe pedem que se ocupe de assuntos sérios, não é arriscado prever que o interesse público por esta questão comece a diminuir já a partir de amanhã. Nada tenho contra esses actos comemorativos, eu próprio contribuí para eles, modestamente, com algumas palavras. E uma vez que a data o pede e a ocasião não o desaconselha, permita-se-me que diga aqui umas quantas mais.

Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.

Alguém não anda a cumprir o seu dever. Não andam a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aquelas que efectivamente governam o mundo, as empresas multinacionais e pluricontinentais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal da democracia. Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem e que não é de esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência com que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.

Não esqueci os agradecimentos. Em Frankfurt, no dia 8 de Outubro, as primeiras palavras que pronunciei foram para agradecer à Academia Sueca a atribuição do Prémio Nobel da Literatura. Agradeci igualmente aos meus editores, aos meus tradutores e aos meus leitores. A todos torno a agradecer. E agora também aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de hoje: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar. Disse naquele dia que não nasci para isto, mas isto foi-me dado. Bem hajam portanto."

 



publicado por blogoval às 22:14
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