A Incerteza do movimento de uma bola Oval "¿Qué clase de mundo es éste que puede mandar máquinas a Marte y no hace nada para detener el asesinato de un ser humano?" José Saramago
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Cardeal Patriarca sem nexo...

Para que a memória futura relembre este caso, revela-se com estas palavras uma profunda incoerência e o normal autismo da igreja católica.

As palavras foram duras para os mulçumanos, mas estes que se revoltem e se defendam.

Bem vistas as coisas, tudo o que defende algo mitico e divino, assenta nas mesmas bases.

Agora, esta cruzada contra os gays e lésbicas, ganhou uma nova frente. A luta contra os mouros.

Salvem as nossas filhas desses impostores.



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«O Caderno de Saramago» - Lapidações e outros horrores

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Lapidações e outros horrores

By José Saramago

A notícia queima. O mufti da Arábia Saudita, máxima autoridade religiosa do país, acaba de emitir uma fatua que permite (permitir é um eufemismo, a palavra exacta deveria ser impor) o casamento de meninas na idade de 10 anos. O dito mufti (hei-de lembrar-me dele nas minhas orações) explica porquê: porque a decisão é “justa” para as mulheres, ao contrário da fatua anteriormente vigente, que havia fixado em 15 anos a idade mínima para o casamento, o que Abdelaziz Al Sheji (esse é o nome) considerava “injusto”. Sobre as razões deste “justo” e deste “injusto”, nem uma palavra, não se nos diz sequer se as meninas de 10 anos foram consultadas. É certo que a democracia brilha pela inexistência na Arábia Saudita, mas, num caso de tanto melindre, poderia ter-se aberto uma excepção. Enfim, os pedófilos devem estar contentes: a pederastia é legal na Arábia Saudita. Outras notícias que queimam. No Irão foram lapidados dois homens por adultério, no Paquistão cinco mulheres foram enterradas vivas por quererem casar-se pelo civil com homens da sua escolha… Fico por aqui. Não aguento mais.



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«O Caderno de Saramago» - Ángel González

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Ángel González

By José Saramago

Há um ano, precisamente no dia 12 de Janeiro, num hospital de Madrid, morreu Ángel González. Hospitalizado eu próprio em Lanzarote por causa de uma doença similar à que o levou, atendi a chamada telefónica de um jornal que queria publicar umas palavras sobre a infausta notícia. Em termos que o meu interlocutor mal deve ter ouvido, tão intensa era a minha emoção, disse que havia perdido um amigo que era, ao mesmo tempo, um dos maiores poetas de Espanha. Em sua lembrança deixo hoje aqui um dos seus poemas, que traduzo do espanhol.

ASSIM PARECE

Acusado pelos críticos literarios de realista,
os meus parentes, em troca, atribuem-me
o defeito contrário;
afirmam que não tenho
sentido algum da realidade.
Sou para eles, sem dúvida, um funesto espectáculo:
analistas de textos, parentes da província,
pelos vistos, a todos defraudei
que lhe vamos fazer!

Citarei alguns casos:

Certas tias devotas não se podem conter,
e choram ao olhar-me.
Outras muito mais tímidas fazem-me arroz doce,
como quando eu era pequeno,
e sorriem contritas, e dizem-me:
que alto,
se o teu pai te visse…
,
e ficam suspensas, sem saber que mais dizer.

No entanto, não ignoro
que os seus gestos ambíguos
dissimulam
uma sincera compaixão irremediável
que brillha humidamente nos seus olhares
e nos seus piedosos dentes postiços de coelho.

E não são só elas.

De noite
a minha velha tia Clotilde regressa da tumba
para agitar diante da minha cara os dedos como sarmentos
e repetir em tom admonitório:
De beleza não se come! Que julgas que é a vida?

Por sua parte,
a minha falecida mãe, com voz delgada e triste,
augura para a minha existência um lamentável final:
manicómios, asilos, calvície, blenorragia.

Eu não sei que dizer-lhes, e elas
regressam ao seu silêncio.
O mesmo, igual que então.
Como quando era pequeno.
Parece
que a morte não chegou a passar por nós.



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«O Caderno de Saramago» - Presidentes

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Presidentes

By José Saramago

Um, Bush, que sai e que nunca deveria ter entrado, outro, Obama, que está prestes a chegar e oxalá não venha a desiludir-nos, outro, Bartlet, que, não duvido, ficará por muito tempo. A este dedicámos nestes dias, Pilar e eu, algumas horas disfrutando os últimos episódios de “A ala oeste da Casa Branca” a que em Portugal preferiram chamar “Os homens do presidente”, título eminentemente machista, uma vez que algumas das personagens mais importantes da série são mulheres. Jed Bartlet, interpretado por Martin Sheen (lembram-se de “Apocalipse Now”?), é o nome do presidente que temos vindo a acompanhar com um interesse que nunca esmoreceu, tanto pela tensão dramática dos conflitos como também por alguns aspectos didácticos sempre presentes sobre o modo norte-americano de fazer política, quer no bom, quer no péssimo. Bartlet chegou ao fim do seu segundo mandato e portanto está de saída. Estamos em plena campanha presidencial, uma campanha em que não têm faltado os golpes baixos, mas que acabará (já o sabemos) com a vitória do melhor dos candidatos, um hispano de ideias claras e ética impecável chamado Mattew Santos. Claro que é irresistível pensar em Barack Obama. Terão os autores da história o dom da profecia? É que entre um hispano e um negro, a diferença não é tão grande.



publicado por blogoval às 19:11
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«O Caderno de Saramago» - Imaginemos

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Imaginemos

By José Saramago

Imaginemos que, nos anos trinta, quando os nazis iniciaram a sua caça aos judeus, o povo alemão teria descido à rua, em grandiosas manifestações que iriam ficar na História, para exigir ao seu governo o fim da perseguição e a promulgação de leis que protegessem todas e quaisquer minorias, fossem elas de judeus, de comunistas, de ciganos ou de homossexuais. Imaginemos que, apoiando essa digna e corajosa acção dos homens e mulheres do país de Goethe, os povos da Europa desfilariam pelas avenidas e praças das suas cidades e uniriam as suas vozes ao coro dos protestos levantados em Berlim, em Munique, em Colónia, em Frankfurt. Já sabemos que nada disto sucedeu nem poderia ter sucedido. Por indiferença, apatia, por cumplicidade táctica ou manifesta com Hitler, o povo alemão, salvo qualquer raríssima excepção, não deu um passo, não fez um gesto, não disse uma palavra para salvar aqueles que iriam ser carne de campo de concentração e de forno crematório, e, no resto da Europa, por uma razão ou outra (por exemplo, os fascismos nascentes), uma assumida conivência com os carrascos nazis disciplinaria ou puniria qualquer veleidade de protesto.

Hoje é diferente. Temos liberdade de expressão, liberdade de manifestação e não sei quantas liberdades mais. Podemos sair à rua aos milhares ou aos milhões que a nossa segurança sempre estará assegurada pelas constituições que nos regem, podemos exigir o fim dos sofrimentos de Gaza ou a restituição ao povo palestino da sua soberania e a reparação dos danos morais e materiais sofridos ao longo de sessenta anos, sem piores consequências que os insultos e as provocações da propaganda israelita. As imaginadas manifestações dos anos trinta seriam reprimidas com violência, em algum caso com ferocidade, as nossas, quando muito, contarão com a indulgência dos meios de comunicação social e logo entrarão em acção os mecanismos do olvido. O nazismo alemão não daria um passo atrás e tudo seria igual ao que veio a ser e a História registou. Por sua vez, o exército israelita, esse que o filósofo Yeshayahu Leibowitz, em 1982, acusou de ter uma mentalidade “judeonazi”, segue fielmente, cumprindo ordens dos seus sucessivos governos e comandos, as doutrinas genocidas daqueles que torturaram, gasearam e queimaram os seus antepassados. Pode mesmo dizer-se que em alguns aspectos os discípulos ultrapassaram os mestres. Quanto a nós, continuaremos a manifestar-nos.



publicado por blogoval às 19:10
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«O Caderno de Saramago» - Com Gaza

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Com Gaza

By José Saramago

As manifestações públicas não são estimadas pelo poder, que não raro as proíbe ou as reprime. Felizmente não é esse o caso de Espanha, onde se têm visto sair à rua algumas das maiores manifestações realizadas na Europa. Honra seja feita por isso aos habitantes de um país em que a solidariedade internacional nunca foi uma palavra vã e que certamente o expressará no acto multitudinário previsto para domingo em Madrid. O objecto imediato desta manifestação é a acção militar indiscriminada, criminosa e atentatória de todos os direitos humanos básicos, desenvolvida pelo governo de Israel contra a população de Gaza, sujeita a um bloqueio implacável, privada dos meios essenciais à vida, desde os alimentos à assistência médica. Objecto imediato, mas não único. Que cada manifestante tenha em mente que já levam sessenta anos sem interrupção a violência, a humilhação e o desprezo de que têm sido vítima os palestinos por parte dos israelitas. E que nas suas vozes, nas vozes da multidão que sem dúvida estará presente, irrompa a indignação pelo genocídio, lento mas sistemático, que Israel tem exercido sobre o martirizado povo palestino. E que essas vozes, ouvidas em toda a Europa, cheguem também à faixa de Gaza e a toda a Cisjordânia. Não esperam menos de nós os que nessas paragens sofrem cada dia e cada noite. Interminavelmente.



publicado por blogoval às 19:08
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«O Caderno de Saramago» - Das pedras de David aos tanques de Golias

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Das pedras de David aos tanques de Golias

By José Saramago

Este artigo foi publicado pela primeira vez há alguns anos. O seu pano de fundo é a segunda intifada palestina, em 2000. Atrevi-me a pensar que o texto não envelheceu demasiado e que a sua “ressurreição” está justificada pela criminosa acção de Israel contra a população de Gaza. Aí vai, portanto.

DAS PEDRAS DE DAVID AOS TANQUES DE GOLIAS

Afirmam algumas autoridades em questões bíblicas que o Primeiro Livro de Samuel foi escrito na época de Salomão, ou no período imediato, em qualquer caso antes do cativeiro da Babilónia. Outros estudiosos não menos competentes argumentam que não apenas o Primeiro, mas também o Segundo Livro, foram redigidos depois do exílio da Babilónia, obedecendo a sua composição ao que é denominado por estrutura histórico-político-religiosa do esquema deuteronomista, isto é, sucessivamente, a aliança de Deus com o seu povo, a infidelidade do povo, o castigo de Deus, a súplica do povo, o perdão de Deus. Se a venerável escritura vem do tempo de Salomão, poderemos dizer que sobre ela passaram, até hoje, em números redondos, uns três mil anos. Se o trabalho dos redactores foi realizado após terem regressado os judeus do exílio, então haverá que descontar daquele número uns quinhentos anos, mais mês, menos mês.

Esta preocupação de exactidão temporal tem como único propósito oferecer à compreensão do leitor a ideia de que a famosa lenda bíblica do combate (que não chegou a dar-se) entre o pequeno David e o gigante filisteu Golias, anda a ser mal contada às crianças pelo menos desde há vinte ou trinta séculos. Ao longo do tempo, as diversas partes interessadas no assunto elaboraram, com o assentimento acrítico de mais de cem gerações de crentes, tanto hebreus como cristãos, toda uma enganosa mistificação sobre a desigualdade de forças que separava dos bestiais quatro metros de altura de Golias a frágil compleição física do louro e delicado David. Tal desigualdade, enorme segundo todas as aparências, era compensada, e logo revertida a favor do israelita, pelo facto de David ser um mocinho astucioso e Golias uma estúpida massa de carne, tão astucioso aquele que, antes de ir enfrentar-se ao filisteu, apanhou na margem de um regato que havia por ali perto cinco pedras lisas que meteu no alforge, tão estúpido o outro que não se apercebeu de que David vinha armado com uma pistola. Que não era uma pistola, protestarão indignados os amantes das soberanas verdades míticas, que era simplesmente uma funda, uma humílima funda de pastor, como já as haviam usado em imemoriais tempos os servos de Abraão que lhe conduziam e guardavam o gado. Sim, de facto não parecia uma pistola, não tinha cano, não tinha coronha, não tinha gatilho, não tinha cartuchos, o que tinha era duas cordas finas e resistentes atadas pelas pontas a um pequeno pedaço de couro flexível no côncavo do qual a mão experta de David colocaria a pedra que, à distância, foi lançada, veloz e poderosa como uma bala, contra a cabeça de Golias, e o derrubou, deixando-o à mercê do fio da sua própria espada, já empunhada pelo destro fundibulário. Não foi por ser mais astucioso que o israelita conseguiu matar o filisteu e dar a vitória ao exército do Deus vivo e de Samuel, foi simplesmente porque levava consigo uma arma de longo alcance e a soube manejar. A verdade histórica, modesta e nada imaginativa, contenta-se com ensinar-nos que Golias não teve sequer a possibilidade de pôr as mãos em cima de David, a verdade mítica, emérita fabricante de fantasias, anda a embalar-nos há trinta séculos com o conto maravilhoso do triunfo do pequeno pastor sobre a bestialidade de um guerreiro gigantesco a quem, afinal, de nada pôde servir o pesado bronze do capacete, da couraça, das perneiras e do escudo. Tanto quanto estamos autorizados a concluir do desenvolvimento deste edificante episódio, David, nas muitas batalhas que fizeram dele rei de Judá e de Jerusalém e estenderam o seu poder até à margem direita do rio Eufrates, não voltou a usar a funda e as pedras.

 

Também não as usa agora. Nestes últimos cinquenta anos cresceram a tal ponto a David as forças e o tamanho que entre ele e o sobranceiro Golias já não é possível reconhecer qualquer diferença, podendo até dizer-se, sem ofender a ofuscante claridade dos factos, que se tornou num novo Golias. David, hoje, é Golias, mas um Golias que deixou de carregar com pesadas e afinal inúteis armas de bronze. Aquele louro David de antanho sobrevoa de helicóptero as terras palestinas ocupadas e dispara mísseis contra alvos inermes, aquele delicado David de outrora tripula os mais poderosos tanques do mundo e esmaga e rebenta tudo o que encontra na sua frente, aquele lírico David que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a “poética” mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestino para depois negociar com o que deles restar. Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, com ligeiras variantes meramente tácticas, a estratégia política israelita. Intoxicados pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada “certeza” de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores do passado e dos medos de hoje, todas as acções próprias resulatantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que sofreram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronómio: “Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago”. Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.

As pedras de David mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo norte-americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba.



publicado por blogoval às 18:59
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Sorte e Azar

2 jogadores de Slot Machines, no Casino de Lisboa, foram premiados, cada um com um prémio de mais de 4 M€.

Ao reclamarem o prémio, foi-lhes negado o mesmo, sob desculpa de erro da máquina.

Poir que nunca sair um prémio, é sair e ser negado desta forma.

Para além de tudo isto, há relatos de terem sido expulsos pela policia e de lhes ter sido negado o livro de reclamações.

Há que ter bom senso.

Será que é seguro jogar no Casino?



publicado por blogoval às 16:35
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Parabens Baltazar Nunes e tua filha

Dou-te os parabens.

Espero que passes a viver a vida sem esta preocupação e agonia, que acredito, muito sono deverás ter perdido.

Espero que a menina, seja uma criança feliz.

Por certo terá muitos danos que lhe foram provocados, mas espero que seja uma futura criança e adolescente feliz.

Desde que a comunicação social, tratou este assunto como se de uma palhaçada se tratasse, que me senti, como homem e pai perto do teu silêncio e serenidade.

Muitos insultos foste alvo, muita agressividade te foi cometida.

Mas acredita que te vi como um exemplo.

Tenhas tu paz e sossego para criar a tua filha.

Tenha ela a ideia do que foi a tua luta.

Mas nunca te esqueças, que estarás sempre sobre fogo.

Parabens Pai e Parabens Filha

Vivam e Bom 2009, como um inicio de um novo ciclo.

 

Este post foi baseado na noticia on-line da SIC. Aqui.



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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
«O Caderno de Saramago» - No nos abandones

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“No nos abandones”

By José Saramago

Vai o título em castelhano porque assim foi a frase dita. Este escrito também poderia chamar-se “Os silêncios de Marcos”, o que esclarece tudo. A prosa de hoje refere-se ao mítico, ainda que muito real, subcomandante. A poucas pessoas admirei tanto em minha vida, de pouquíssimas esperei tanto. Nunca lho disse pela simples razão de que estas coisas não se dizem, sentem-se e por aí se ficam. Questão de pudor, parece. Quando os zapatistas saíram da Selva Lacandona para chegarem ao Zócalo depois de terem atravessado meio México, eu estava ali, um entre um milhão. Conheci a exaltação, o pulsar da esperança em todo o corpo, a vontade de mudar para converter-me em algo melhor, menos egoísta, mais capaz de entrega. Marcos falou, nomeou todas as etnias de Chiapas, e a cada uma foi como se as cinzas de milhões de índios se tivessem desprendido dos túmulos e outra vez reencarnado. Não estou a fazer literatura fácil, tento, canhestramente, pôr em palavras o que nenhuma palavra pode expressar: o instante em que o humano se torna sobrehumano e, do mesmo passo, regressa à sua mais estreme humanidade.

No dia seguinte, no campus modesto de uma faculdade universitaria, houve um comício que reuniu alguns milhares de pessoas e aí se falou do presente e do futuro de Chiapas, da luta exemplar das comunidades índias que eu sonhava ver um dia estendida a toda a América (tranquilizem-se os tímidos, não aconteceu). Na tribuna estavam, entre outros, Carlos Monsivais, Elena Poniatowska, Manuel Vázquez Montalbán, eu próprio. Todos falámos, mas o que a gente queria era ouvir Marcos. O seu discurso foi breve, mas intenso, quase insuportável para o sistema emotivo de cada um. Quando tudo terminou fui abraçar Marcos e foi então que ele me disse ao ouvido, numa voz apenas sussurrada: “Não nos abandones”. Respondi-lhe no mesmo tom: “Teria que abandonar-me a mim mesmo para que isso sucedesse”. Nunca mais o vi até hoje.

Pensei, e disse-o, que Marcos deveria ter falado no Congresso. Por decisão da “comandancia” interveio a comandante Esther, e fê-lo admiravelmente. Comoveu o México inteiro, mas, repito, em meu entender, era Marcos quem deveria ter falado. O significado político da uma intervenção sua culminaria de maneira mais eficaz a marcha zapatista. Assim pensava e assim continuo a pensar. O tempo passou, o processo revolucionário variou os rumos, Marcos saiu da Selva Lacandona. Durante o último ano Marcos guardou um silêncio total, deixou-nos órfãos daquelas palavras que só ele saberia dizer ou escrever. Sentimos-lhe a falta. No dia 1 houve em Oventic um encontro para celebrar e recordar o início da revolução, a tomada de San Cristóbal de las Casas, os altos e baixos de um caminho difícil. Marcos não foi a Oventic, não mandou sequer uma mensagem, uma palavra. Não compreendi, e continuo a não compreender. Marcos, há poucos dias, anunciou para o ano que entrou uma nova estratégia política. Oxalá, se a antiga perdeu as virtudes. Oxalá, sobretudo, que não volte a calar-se. Com que direito o digo? Com o simples direito de quem não abandonou. Sim, de quem não abandonou.



publicado por blogoval às 19:30
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«O Caderno de Saramago» - Sarkozy, o irresponsável

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Sarkozy, o irresponsável

By José Saramago

Nunca apreciei este cavalheiro e creio que a partir de hoje passarei a apreciá-lo ainda menos, se tal é possível. E não deveria ser assim, se, como a internet acaba de me informar, o dito sr. Sarkozy anda em missão de paz pelas torturadas terras da Palestina, esforço louvável que, à primeira vista, só deveria merecer elogios e votos do melhor sucesso. Da minha parte tê-los-ia todos se não tivesse utilizado, uma vez mais, a velha estratégia dos dois pesos e das duas medidas. Num arranco de hipocrisia política simplesmente notável, Sarkozy acusa Hamas de haver cometido acções irresponsáveis e imperdoáveis lançando foguetes sobre o território de Israel. Não serei eu quem absolva Hamas de tais acções, aliás, segundo leio a cada passo, castigadas pela quase total ineficácia da bélica operação que pouco mais tem conseguido que danificar algumas casas e derrubar alguns muros. Nunca as palavras doam na língua ao sr. Sarkozy, há que denunciar a Hamas. Com uma condição, porém. Que as suas justamente repreensivas palavras tivessem sido igualmente aplicadas aos horrendos crimes de guerra que vêm sido cometidos pelo exército e pela aviação israelita, em proporções inimagináveis, contra a população civil da faixa de Gaza. Sobre esta vergonha o sr Sarkozy parece não ter encontrado no seu Larousse as expressões adequadas. Pobre França.



publicado por blogoval às 19:29
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«O Caderno de Saramago» - Balanço

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Balanço

By José Saramago

Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um “não” sem excepções, que poderia ser? Excesso de modéstia? De resignação? Ou apenas a consciência de que qualquer obra humana não passa de uma pálida sombra da obra antes sonhada. Conta-se que Miguel Ângelo, quando terminou o Moisés que se encontra em Roma, na igreja de San Pietro in Vincoli, deu uma martelada no joelho da estátua e gritou: “Fala!” Não será preciso dizer que Moisés não falou. Moisés nunca fala. Também o que neste lugar se escreveu ao longo dos últimos meses não contém mais palavras nem mais eloquentes que as que puderam ser escritas, precisamente essas a quem o autor gostaria de pedir, apenas murmurando, “Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”. Calam, não respondem. Que fazer, então? Interrogar as palavras é o destino de quem escreve. Um artigo? Uma crónica? Um livro? Pois seja, já sabemos que Moisés não responderá.



publicado por blogoval às 19:26
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Ano Novo Aumentos se sempre

Ano novo - Vida nova

Ano novo mais do mesmo.

Qual a justificação para se aumentar a travessia de Ponte 25 de Abril?

Quantas vezes é que esta ponte não estará já paga.

Porquê é que o pessoal do país dos camelos (leia-se margem sul, nas palavras do famoso ministro) tem de penalizado por uma existência de um artificio geográfico, e em Porto - Gaia é tudo diferente neste aspecto?



publicado por blogoval às 19:22
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Acabaram por hoje as tréguas...

Voltaram à Faixa de Gaza e em força, os ataques.

A população nativa teve direito a 3 horas de paz podre.

Dizem os relatos que muitos foram à procura de comida, cuidados médicos, familiares de que não sabiam noticias.

Depois voltaram as bombas...



publicado por blogoval às 19:15
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Palermice de Israel

Israel, após pressão internacional, dará 3 horas de treguas por dia, por causa das razões humanitárias.

É de forma manifesta uma palermice, um acto de ignorância civica e humanitária.

Parem as bombas e os actos assassinos.

Dirá a história que a culpa terá dono. Todos terão culpa. Mas há uns mais culpados que outros.



publicado por blogoval às 13:06
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