A Incerteza do movimento de uma bola Oval "¿Qué clase de mundo es éste que puede mandar máquinas a Marte y no hace nada para detener el asesinato de un ser humano?" José Saramago
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
do papel de ensinar...

O caso recente da professora de história, das suas histórias sexuais relatadas, das ameaças feitas aos alunos, e das horas passadas em tom de inquisição, perante jovens ainda maturamente pouco desenvolvidos, são um caso de policia.

Por outro lado, relata-se o facto desta maneira de «ensinar» remontar há muito tempo. Portanto existe conivência por parte dos colegas e direcção da escola.

 



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...

Ao ponto que chegámos...

Acho que Portugal inteiro e outro tanto anda farto de muita coisa...

Não há pachorra, para a crise e o desemprego, para o Socrates, Freeport e Eurojust, para os Bastonários, para o Paulo Portas e a sua ala, para o Louça e seus compadres, para o Santana Lopes que aí vem, para o ministro das obras que também estará novamente a chegar, para a da educação que ainda não se foi embora, para o da cultura que ainda ninguém o viu, para o das finanças ou da falta delas.... não há cu que aguente...



publicado por blogoval às 21:14
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«O Caderno de Saramago» - Suborno
Copiado e colado daqui...

Suborno

By José Saramago

Tinha jurado a mim mesmo não voltar a escrever sobre este figurão nos tempos mais próximos, mas, uma vez mais, a força dos factos pôde mais que a minha vontade. Neste caso não se trata de misses, modelos e bailarinas escolhidas a dedo (ou por dedos) para o Parlamento Europeu nem de jóias como presente de aniversário a jovens “ragazze” pouco mais que adolescentes que tratam o primeiro-ministro italiano por “papi”, termo que não sei exactamente o que quererá dizer (o meu forte não é italiano falado pelas lolitas de lá), mas que prometeria muito até ao menos atento dos exames. Também não se trata do badalado divórcio do qual, pessoalmente, duvido muito que se venha a consumar porque os interesses materiais mútuos pesam e o risco é grande de que a comédia (se o é) acabe em reconciliação e muitas horas de transmissão televisiva.

O que me tirou do meu relativo sossego em relação ao “padrone” Berlusconi foi uma sentença do Tribunal de Milão que condena o advogado britânico David Mills a quatro anos e meio de prisão por corrupção em acto judicial. Afirma-se na sentença que Berlusc (saiu assim, assim o deixo ficar) subornou em 1997, nada menos que com 600 mil dólares, o dito advogado e que este incorreu em “falso testemunho” com o objectivo de “proporcionar impunidade a Berlusconi e ao grupo Fininvest”. A reacção de Berlusc foi típica: “É uma sentença absolutamente escandalosa, contrária à realidade”. E mais: “Haverá recurso, haverá outro juiz, e eu estou tranquilo”. O leitor notará aquela referência a “outro juiz” que, pelo menos assim o leio eu, não passa de um acto falhado que me permitirei interpretar desta maneira: “Haverá outro juiz, que eu tratarei de subornar”. Como subornou outros antes, acrescento.

Gostaria de pensar que o fim de Berlusc se aproxima. Mas para isso será necessário que o eleitorado italiano saia da sua apatia, seja ela involuntária ou cúmplice, e retome a frase de Cícero que há dias recordei. Que uma vez digam e que se ouça em todo o mundo: “Demasiado abusaste de nós, Berlusc, a porta está ali, desaparece”. E se essa porta for a da prisão, então poderemos dizer que justiça terá sido feita. Finalmente.



publicado por blogoval às 21:12
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
«O Caderno de Saramago» - Um sonho
Copiado e colado daqui...

Um sonho

By José Saramago

Nunca vi a pessoa em questão, nunca lhe falei, não tem nem teve jamais lugar no círculo dos meus interesses, quer imediatos quer distantes, e para que tudo fique dito em meia dúzia de palavras, considerando os anos que no passado levei ouvindo ou lendo este nome, nem sequer sei se está vivo. Refiro-me a um editor português, Domingos Barreira, que na noite passada veio visitar-me no meu sono. Aliás, não cheguei a vê-lo e, se o visse, não saberia que cara lhe haveria de pôr. O que ele fez foi enviar-me uma secretária com o recado de que gostaria de encontrar-se comigo para conversarmos sobre coisas passadas. Que coisas passadas fossem elas, ainda estou para sabê-lo, porque, apesar do encontro ter ficado aprazado para o próximo fim-de-semana, não se falou de local. E, como se isso fosse pouco, acordei, e, quando acordei, a secretária não estava ali.

Agora, que venham os doutores da academia explicar-me este sonho sem causa aparente nem motivo que se perceba. Salvo se se quiser aceitar uma ideia minha, antes lhe chamaria convicção, a de que a doença que há um ano e tal esteve a ponto de levar-me deu uma volta à minha cabeça, desarrumando as memórias e voltando a arrumá-las por outra ordem e poderá ter sido, também ela, a responsável por este insólito sonho. Infelizmente, ficará sem resposta a pergunta: “Porquê?” Paciência, não se pode ter tudo e os doutores da academia têm com certeza mais que fazer que ler esta página.



publicado por blogoval às 21:48
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«O Caderno de Saramago» - Poetas e poesia
Colado e copiado daqui...

Poetas e poesia

By José Saramago

Não será com todos nem será sempre, mas às vezes acontece o que estamos vendo nestes dias: que, por ter morrido um poeta aparecem, em todo o mundo, leitores de poesia que se declaram devotos de Mario Benedetti e que precisam de um poema que expresse o seu desconsolo e talvez também para recordar um passado em que a poesia teve lugar permanente, quando hoje é a economia que nos impede de dormir. Assim, vemos que de repente se estabelece um tráfico de poesia que deve ter deixado perplexos os medidores oficiais, porque de um continente a outro saltam mensagens estranhas, de factura original, linha curtas que parecem dizer mais do que à primeira vista se crê. Os decifradores de códigos não têm mãos a medir, há demasiados enigmas para decifrar, demasiados abraços e demasiada música acompanhando sentimentos que são demasiados: o mundo não poderia suportar muitos dias desta intensidade emocional, mas tão-pouco, sem a poesia que hoje se expressa, seríamos inteiramente humanos. E isto, em poucas linhas, é o que está sucedendo: morreu Mario Benedetti em Montevideo e o planeta tornou-se pequeno para albergar a emoção das pessoas. De súbito os livros abriram-se e começaram a expandir-se em versos, versos de despedida, versos de militância, versos de amor, as constantes da vida de Benedetti, junto à sua pátria, aos seus amigos, ao futebol e alguns boliches de trago largo e noites mais largas ainda.

Morreu Benedetti, esse poeta que soube fazer-nos viver os nossos momentos mais íntimos e as nossas raivas menos ocultas. Se com os seus poemas saímos à rua – lado a lado somos muito mais que dois –, se lendo “Geografias”, por exemplo, aprendemos a amar um país pequeno e um continente grande, agora, segundo as cartas que chegam à Fundação, recuperaram-se momentos de amor que deram sentido a tempos passados, e quem sabe se presentes. Isso também o devemos a Benedetti, ao poeta que ao morrer fez de nós herdeiros da bagagem de uma vida fora do comum.

Tania y Mario: la libertad*

No es verdad que el mundo está todo descubierto. El mundo no es sólo la geografía con sus valles y montañas, sus ríos y sus lagos, sus planicies, los grandes mares, las ciudades y las calles, los desiertos que ven pasar el tiempo, el tiempo que nos ve pasar a todos. El mundo es también las voces humanas, ese milagro de la palabra que se repite todos los días, como un corona de sonidos viajando en el espacio. Muchas de esas voces cantan, algunas cantan verdaderamente. La primera vez que oí cantar a Tania Libertad tuve la revelación de las alturas de la emoción a que puede llevarnos una voz desnuda, sola delante del mundo, sin ningún instrumento que la acompañara. Tania cantaba a capella “La paloma” de Rafael Alberti, y cada nota acariciaba una cuerda de mi sensibilidad hasta el deslumbramiento.

Ahora Tania Libertad canta a Mario Benedetti, ese gran poeta a quien tan bien le sentaría el nombre de Mario Libertad…

Son dos voces humanas, profundamente humanas, que la música de la poesía y la poesía de la música han reunido. De él la palabras, de ella la voz.

Oyéndolas estamos más cerca del mundo, más cerca de la libertad, más cerca de nosotros mismos.



publicado por blogoval às 21:45
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Pancreas da Treta - António Feio

Um acto de coragem.

Aqui no Youtube.

 

Uma Treta



publicado por blogoval às 19:40
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do paradigma do futebol...

... a nivel nacional a não surpresa de ver o FCPorto a ganhar mais um campeonato. Provavelmente a Taça de Portugal, será um dado adquirido.

O SportingCP, define-se como a 2.ª equipa nacional. O SLBenfica, perde terreno para o segungo lugar, e deixando que o quarto posto se aproxime, tal qual um abismo.

O SCBraga é mesmo a quarta equipa nacional, e depois gravitam todas as temporadas emblemas que agitam a primeira metada da tabela.

Este ano Leixões e Nacional, fizeram a gracinha.

O Estrela da Amadora, é o paradigma da perda do significado. Uma época inteira sem que o clube e sua administração conseguissem resolver a questão dos ordenados por pagar.

Estranha-se a falta de resposta da Liga e da Federação, da Camara Municipal da Amadora e do Governo. Todos mas todos limpam as mãos que nem Pilatos.

São os futebóis nacionais...



publicado por blogoval às 19:39
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Roteiros de Saramago

Da página da Fundação José Saramago, iniciam-se os Roteiros.

Passar na realidade ou virtualmente pelos passos percorridos nos livros.

De «Levantado do Chão» promete-se seguir outras obras...

 

 

AQUI

 

«O que mais há na terra é paisagem», diz José Saramago a abrir Levantado do Chão.

Paisagem, gentes e os caminhos que as pessoas, sejam reais sejam literárias, construíram para tornar mais humanas as suas vidas.

Para mostrar estes itinerários, a Fundação inicia uma série de roteiros, que se poderão seguir quer de maneira virtual quer no terreno. Repetir os passos das personagens de Levantado do Chão é outra forma de percorrer Portugal. Este é o primeiro trabalho que apresentamos: uma viagem pelo Alentejo e por outros lugares de Portugal onde também homens e mulheres anónimos, com as suas vidas, os seus trabalhos e as suas rebeldias introduziram conceitos de emancipação e liberdade.

Com este roteiro inicia-se um ciclo que terá continuação em História do Cerco de LisboaO Ano da Morte de Ricardo Reis, com o título A Lisboa de Saramago.

 

Levantado do Chão



publicado por blogoval às 21:06
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«O Caderno de Saramago» - Charlot
Copiado e colado daqui...

Charlot

By José Saramago

Numa destas últimas noites vi na televisão alguns filmes antigos de Chaplin, a saber, dois ou três episódios nas trincheiras da primeira guerra mundial e um filme mais extenso, “The Pilgrim”, que, retoma, com menos felicidade que noutros casos, o tema recorrente de um Chaplin sem culpas procurado pela polícia. Não sorri nem uma única vez. Surpreendido comigo mesmo, como se tivesse faltado a uma jura solene, dei-me ao trabalho de tentar recordar, tanto quanto me seria possível oitenta anos depois, que risos, que gargalhadas me terá feito soltar Charlot nos dois cinemas populares de Lisboa que frequentava quando tinha seis ou sete anos. Não recordei grande coisa. Os meus ídolos nessa época eram dois cómicos suecos, Pat e Patachon, que esses, sim, eram, para mim, autênticos campeões da gargalhada. Continuando a reflectir com os meus botões, sempre bons conselheiros porque em princípio não mudam de casa nem de opinião, cheguei à inesperada conclusão de que Chaplin, afinal, não é um cómico, mas um trágico. Repare-se como tudo é triste, como tudo é melancólico nos seus filmes. A própria máscara chaplinesca, toda ela em branco e negro, pele de gesso, sobrancelhas, bigode, olhos como pingos de alcatrão, é uma máscara que em nada destoaria ao lado das representações plásticas clássicas do actor trágico. E há mais. O sorriso de Chaplin não é um sorriso feliz, pelo contrário, aventuro-me a dizer, sabendo ao que me arrisco, que é tão inquietante que ficaria bem na boca de qualquer drácula. Se eu fosse mulher, fugiria de um homem que me sorrisse assim. Aqueles incisivos, demasiado grandes, demasiado regulares, demasiado brancos, assustam. São um esgar no enquadramento rígido dos lábios. Sei de antemão que pouquíssimos vão estar de acordo comigo. O caso é que, uma vez que foi decidido que Chaplin é um actor cómico, ninguém lhe olha para a cara. Creiam no que lhes digo. Olhem-no de frente sem ideias feitas, observem aquelas feições uma por uma, esqueçam por um momento a dança dos pezinhos, e digam-me depois o que viram. Chaplin levaria todos os seus filmes a chorar se pudesse.



publicado por blogoval às 21:04
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Domingo, 17 de Maio de 2009
«O Caderno de Saramago» - Até quando?
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Até quando?

By José Saramago

Há uns dois mil e cinquenta anos, mais dia menos dia, a esta hora ou outra, estava o bom Cícero clamando a sua indignação no senado romano ou no foro: “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”, perguntou ele uma vez e muitas ao velhaco conspirador que o quis matar e fazer-se com um poder a que não tinha qualquer direito. A História é tão pródiga, tão generosa, que não só nos dá excelentes lições sobre a actualidade de certos acontecidos outrora como também nos lega, para governo nosso, umas quantas palavras, umas quantas frases que, por esta ou aquela razão, viriam a ganhar raízes na memória dos povos. A frase que deixei acima, fresca, vibrante, como se tivesse acabado de ser pronunciada neste instante, é sem dúvida uma delas. Cícero foi um grande orador, um tribuno de enormes recursos, mas é interessante observar como, neste caso, preferiu utilizar termos dos mais comuns, que poderiam mesmo ter saído da boca de uma mãe que repreendesse o filho irrequieto. Com a enorme diferença de que aquele filho de Roma, o tal Catilina, era um traste da pior espécie, quer como homem, quer como político.

A História de Itália surpreende qualquer um. É um extensíssimo rosário de génios, sejam eles pintores, escultores ou arquitectos, músicos ou filósofos, escritores ou poetas, iluminadores ou artífices, um não acabar de gente sublime que representa o melhor que a humanidade tem pensado, imaginado, feito. Nunca lhe faltaram catilinas de maior ou menor envergadura, mas disso nenhum país está isento, é lepra que a todos toca. O Catilina de hoje, em Itália, chama-se Berlusconi. Não necessita assaltar o poder porque já é seu, tem dinheiro bastante para comprar todos os cúmplices que sejam necessários, incluindo juízes, deputados e senadores. Conseguiu a proeza de dividir a população de Itália em duas partes: os que gostariam de ser como ele e os que já o são. Agora promoveu a aprovação de leis absolutamente discricionárias contra a emigração ilegal, põe patrulhas de cidadãos a colaborar com a polícia na repressão física dos emigrantes sem papéis e, cúmulo dos cúmulos, proíbe que as crianças de pais emigrantes sejam inscritas no registo civil. Catilina, o Catilina histórico, não faria melhor.

Disse acima que a História de Itália surpreende qualquer um. Surpreende, por exemplo, que nenhuma voz italiana (ao menos que haja chegado ao meu conhecimento) tenha retomado, com uma ligeira adaptação, as palavras de Cícero: “Até quando, ó Berlusconi, abusarás da nossa paciência?” Experimente-se, pode ser que dê resultado e que, por esta outra razão, a Itália volte a surpreender-nos.



publicado por blogoval às 09:24
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«O Caderno de Saramago» - Sofía Gandarias
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Sofía Gandarias

By José Saramago

À pergunta angustiada, ainda que carregada de uma retórica fácil, que o papa lançou em Auschwitz para surpresa e escândalo do mundo crente: “Onde estava Deus?”, vem esta grande exposição de Sofía Gandarias responder com simplicidade: “Deus não está aqui”. É evidente que Deus não leu Kafka e, pelos vistos, Ratzinger também não. Não leram nem sequer Primo Levi, que está mais perto do nosso tempo e nunca se serviu de alegorias para descrever o horror. Se se me permite a ousadia, eu aconselharia ao papa que visitasse, com tempo e olhos de ver, esta exposição de Sofía, que escutasse com atenção as explicações que lhe fossem dadas por uma pintora que, sabendo muito da arte que cultiva, muito sabe também do mundo e da vida que nele temos feito, os que crêem e os que não crêem, os que esperam e os que desesperam, e os outros, os que fizeram Auschwitz e os que perguntam onde estava Deus. Melhor seria que nos perguntássemos onde estamos nós, que doença incurável é esta que não nos deixa inventar uma vida diferente, com deuses, se quiserem, mas sem nenhuma obrigação de crer neles. A única e autêntica liberdade do ser humano é a do espírito, de um espírito não contaminado por crenças irracionais e por superstições talvez poéticas em algum caso, mas que deformam a percepção da realidade e deveriam ofender a razão mais elementar.

Acompanho o trabalho de Sofía Gandarias desde há anos. Assombra-me a sua capacidade de trabalho, a força da sua vocação, a mestria com que transfere para a tela as visões do seu mundo interior, a relação quase orgânica que mantém com a cor e o desenho. Sofía Gandarias é, toda ela, memória. Memória de si mesma, como qualquer, em primeiro lugar, mas também memória do que viveu e do que aprendeu, memória de tudo o que interiorizou como algo próprio, memória de Kafka, de Primo Levi, de Roa Bastos, de Borges, de Rilke, de Brecht, de Hanna Arendt, de quantos, para tudo dizer numa palavra, se debruçaram do poço da alma humana e sentiram a vertigem.

Nota: Texto para a exposição “Kafka, o visionário”, de Sofía Gandarias, que poderá visitar-se na Haus am Kleistpark de Berlim a partir do dia 28 deste mês.

cuadro-blog-peque

Sofía Gandarias



publicado por blogoval às 09:21
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
da selecção nacional...

Carlos Queiroz, convoca Pepe, o agressor de Madrid, deve querer pretender dar a mão ao homem enquanto individuo e não como futebolista, torna-o assim uma especie de vitima, da sua cabeça do seu mundo em pressao.

Mas não entendo, que ao guarda-redes Quim, não lhe tenha dado a mesma oportunidade, de lhe ter demonstrado que tinha (publicamente) a mão e o ombro que lhe estava a faltar no Benfica, e recuperar a cabeça do homem futebolista...

São dois pesos e duas medidas.

 



publicado por blogoval às 21:25
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«O Caderno de Saramago» - Corripção à inglesa
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Corrupção à inglesa

By José Saramago

Lê-se e não se acredita. Dá vontade de promover urgentemente uma subscrição pública capaz de reunir uns quantos trocos para ajudar os deputados ingleses, tanto trabalhistas como conservadores, a chegarem ao fim do mês ainda com algumas libras no bolso. Apetece perguntar: “Império britânico, quem te viu e quem te vê?” Donos de metade do mundo num passado não tão distante, agora pouco lhes falta para descer à rua e estender a mão à caridade dos eleitores. Não é que não tenham o suficiente para comer. Pelo menos que se saiba, não há notícia de que algum deputado ou deputada tenham desmaiado de fome durante um discurso. A coisa ainda não chegou aí. Mas que podemos dizer da deputada Cheryl Gillan que passou à conta do Estado a importância de 87 cêntimos de euro pela compra de duas latas de comida para cães? Ou do deputado David Willetts, que chamou um operário para que lhe mudasse 25 lâmpadas em sua cara, pagando o Estado o trabalho? Ou Alan Duncan, que reformou o jardim à custa do contribuinte? A lista de casos é extensíssima.

O escândalo na Grã-Bretanha está a atingir tais proporções que o primeiro-ministro Gordon Brown se viu obrigado a pedir desculpa em nome da classe política do país, incluindo os partidos, todos eles, perante o gravíssimo descrédito que está a sofrer a reputação dos políticos que abusam do dinheiro público para cobrir as suas despesas como deputados. Realmente há que fazer algo para pôr cobro a esta vergonha, onde não é difícil encontrar sinais de farsa. Eu, por mim, tenho uma ideia: contratar um novo Robin Hood, um que ponha a saque os pobres para que não falte dinheiro aos representantes da nação para as suas despesas miúdas, que em muito casos de miúdas não têm nada, como foi o caso de David Cameron, “leader” dos conservadores, que levou à conta do Estado 92 mil euros gastos na sua segunda residência. Creiam-me, a solução está à vista. A Robin Hood não lhe falta experiência e por enquanto ainda tem boa reputação.



publicado por blogoval às 21:23
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«O Caderno de Saramago» - A coragem
A coragem

By José Saramago

Patricia Kolesnicov é jornalista e argentina, mais jornalista que argentina em minha opinião, mas isto é só uma pequena ideia de literato, colocar a profissão antes da nacionalidade como se estivesse a substituir um mundo por outro. Há anos apareceu-lhe um cancro da mama que enfrentou com a coragem de que só uma mulher é capaz. Não o digo para parecer bem, para ganhar indulgências entre a outra metade da humanidade. Se o digo é simplesmente porque o penso: perante a dor, perante o sofrimento, elas são muito mais valentes que nós. A criança que chora e se lastima por ter esfolado um joelho continua a existir no homem mesmo que passem muitos anos, e quantos mais passem, mais essa presença se notará, a mulher meteu-lhe uma decidida chupeta na boca e, se a não conseguiu calar de todo, ao menos aplicou uma surdina aos seus queixumes, que os tornará relativamente suportáveis a ouvidos e sensibilidades alheias. O homem exibe, a mulher não quer que se note.

Quando o cancro foi vencido, Patricia escreveu um livro a que pôs o título de “Biografia do meu cancro”. Não gostei e disse-lho, mas ela não me fez caso. O livro (publicado também em Portugal, na Caminho) traça sem complacências um percurso duríssimo e, talvez para honrar a palavra daqueles que afirmam existir um humor judeu particular (Patrícia é judia), o relato, que noutras mãos seria grave, inquietante, inclusive assustador, desperta frequentemente em nós um sorriso cúmplice, uma súbita risada, uma irreprimível gargalhada. Com um pouco mais Patricia Kolesnicov tornar-se-ia mestra do paradoxo e do mais negro dos humores.

Patricia acaba de recuperar os direitos sobre a sua obra e não lhe ocorreu melhor ideia que pô-la na internet para uso, disfrute e lição de toda a gente. Leiam-na e agradeçam-lhe. E, já agora, agradeçam-me também a mim que sou seu amigo e escrevi estas palavras justas, mínimas para o que ela mereceria, mas que outros (os seus leitores) farão crescer pela via do respeito e da admiração. Pela coragem.



publicado por blogoval às 21:20
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«O Caderno de Saramago» - Torturas
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Torturas

By José Saramago

Que eu saiba (mas eu sei muito pouco) nenhum animal tortura outro animal e menos ainda um semelhante seu. É certo que se diz que o gato sente prazer e se diverte à grande, a atormentar o rato que acabou de lhe cair nas unhas e que só virá a devorar depois de lhe haver moído bem as carnes numa forma particular de maceração, mas os entendidos nestas matérias (não sei se os entendidos em gatos ou em ratos) afirmam que o felino, como um requintado “gourmet” sempre à procura das cinco estrelas cinco, está simplesmente a melhorar o sabor do manjar por via de um inevitável rompimento da vesícula biliar do roedor. Sendo a natureza tão vária e diversa, tudo é possível. Menos diversa e vária, ao contrário do que geralmente se crê, é a natureza humana. Torturou no passado, tortura hoje e, não tenhamos dúvidas, continuará a torturar por todos os tempos futuros, começando pelos animais, todos eles, estejam domesticados ou não, e terminando na sua própria espécie, com cujas agonias especialmente se deleita.

Para aqueles que teimam na existência de algo a que, com os olhos em alvo, se atrevem a chamar bondade humana, a lição é dura e muito capaz de lhes fazer perder algumas das suas queridas ilusões. Acaba de ser trazido ao conhecimento da opinião pública um dos mais demenciais casos de tortura que poderíamos imaginar. O torturador é um irmão do emir de Abu Dhabi e presidente dos Emiratos Árabes Unidos, um dos países mais ricos do mundo, grande exportador de petróleo. O infeliz torturado foi um comerciante afegão acusado de ter perdido um carregamento de cereais no valor de 4000 euros que o xeque Al Nayan (este é o nome da besta) havia adquirido.

O que se passou conta-se em poucas palavras, já que um relato completo exigiria um livro de muitas páginas. A gravação do vídeo, de 45 minutos, mostra um homem de chilaba branca golpeando os testículos da vítima com uma aguilhada eléctrica, dessas que se usam para tocar o gado, que depois lhe introduz no ânus. A seguir verte-lhe sobre os testículos o conteúdo de um isqueiro e pega-lhes fogo, lançando depois sal sobre a carne queimada. Para rematar, atropela várias vezes o desgraçado com um carro todo-o-terreno. No vídeo pode ouvir-se os ossos a partirem-se. Como se vê, um simples capítulo mais da ilimitada crueldade humana.

Se Alá não toma conta da sua gente, isto vai acabar mal. Já tínhamos a Bíblia como manual do perfeito criminoso, agora é a vez do Corão, que o xeque Al Nayan reza todos os dias.



publicado por blogoval às 21:18
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